
Certo dia, e um bom dia por sinal, fui comemorar uma conquista com um amigo, como não conversávamos por algum tempo, compramos um suco de uva em um supermercado na Asa Norte (Brasília-DF) e nos dirigimos à um prédio, onde sentados, conversávamos escutando música com o celular dele. Tanto ele quanto eu, havíamos comprado nossos respectivos celulares recentemente e comparado aos preços dos celulares mais comuns que hoje se vê, eram celulares simples de média de R$ 150,00 cada. Em pouco tempo, dois indivíduos se aproximam da gente, anunciam o assalto e levam os nossos celulares, e o suco que havíamos acabado de comprar. Passado algum tempo, de buscas com e depois sem a polícia, encontrei um dos elementos deitado debaixo de um bloco residencial, próximo de onde nos abordaram, entreguei-o à dois policiais que por ali passavam e o mesmo foi preso. Dias depois, fui ao seu julgamento, Sua Exelência, o Juiz responsável, questionou a mim e ao meu amigo quanto o que fazíamos dando "bobeira" na rua. Disse que para evitar alegrar bandidos, ele mesmo, anda com um celular simples e objetos que não chamam a atenção.
Não acho que o Sr. Juiz estivesse errado em dar os "conselhos" que deu, mas o que ele falou, com certeza, revela a situação em que vivemos no país. Fico impressionado com o Brasil: uma pessoa "de bem" que trabalha para adquirir seu bem não pode sequer viver tranquilo porque se utilizar o seu bem e o mesmo for visto por pessoas que levam a vida desonestamente, pode perder o bem e até mesmo a própria vida. O que aquele Juiz me falou mostra quem é que exerce o domínio em nossa sociedade: os bandidos!
Nesses últimos dias, tem corrido pela internet, um vídeo que mostra um cidadão andando em sua moto nova, em um determinado ponto, ele é abordado por dois ladrões, armados, que ameaçando a sua vida, apontam a arma em sua direção e lhe tomam a moto. O que os bandidos não esperavam, é que por ali, passava o Capitão Antônio Bernardo, que de prontidão, desce do carro e efetua alguns disparos contra um dos assaltantes e o derruba. Esse mesmo policial, que agiu rapidamente para impedir o roubo foi punido pela "brutalidade" que cometeu.
Não é engraçado, que ao mesmo tempo que a Constituição Brasileira me diz que tenho certos direitos, eu me deparo com a dura realidade de que não os tenho? Por exemplo, a lei nos diz:
"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição..." CF/88, Art. 5º, I.
Só isso, já confirma exatamente o que mencionei anteriormente:
1. "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza": a primeira mentira é que todos somos iguais. Não somos. Os mesmos jovens que crescem no mesmo lugar, e tem as mesmas oportunidades não aproveitam estas oportunidades. O que aconteceu com os alunos das escolas públicas? Todos viraram bandidos? Não. Então ser bandido não é uma opção de quem estuda em escola pública. E por que me refiro à educação pública? Porque o argumento das pessoas que defendem esses bandidos, é o de que eles não tiveram oportunidade... se não tivessem acesso à escola, alimentação, informação... aí sim, e nem tanto, porque antes de todos os programas sociais que existem hoje, a pobreza já não era desculpa para a criminalidade.
2. "garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida": temos mesmo esta segurança mesmo? Podemos sair tranquilos com uma baixa porcentagem de possibilidade de sermos assaltados, sequestrados e mesmo mortos?
3. "à liberdade": você anda pelas ruas e vê casas bem abertas?
4. "à igualdade": bem, deixe-me lembrar que o artigo começa dizendo que "todos são iguais perante a lei", o que nos diferencia dos políticos que elegemos para nos representar? Eles não são humanos, é isso, porque eles tem vantagens discrepantes em relação aos demais brasileiros?
5. "à segurança": todas as alternativas anteriores e a próxima.
6. "à propriedade": "Todos" os brasileiros, "sem distinção" e "de qualquer natureza" tem uma casa, né?!
Bem, parece que a letra da lei está bem longe de demonstrar a realidade, não é mesmo?! Pois então, onde vamos parar? Não adianta você esperar pelos outros cumprirem a lei... "seja a mudança que você quer no mundo" - Dalai Lama.






