sexta-feira, 18 de outubro de 2013

LEIS BRASILEIRAS, UMA PEGADINHA DO MALANDRO


          Certo dia, e um bom dia por sinal, fui comemorar uma conquista com um amigo, como não conversávamos por algum tempo, compramos um suco de uva em um supermercado na Asa Norte (Brasília-DF) e nos dirigimos à um prédio, onde sentados, conversávamos escutando música com o celular dele. Tanto ele quanto eu, havíamos comprado nossos respectivos celulares recentemente e comparado aos preços dos celulares mais comuns que hoje se vê, eram celulares simples de média de R$ 150,00 cada. Em pouco tempo, dois indivíduos se aproximam da gente, anunciam o assalto e levam os nossos celulares, e o suco que havíamos acabado de comprar. Passado algum tempo, de buscas com e depois sem a polícia, encontrei um dos elementos deitado debaixo de um bloco residencial, próximo de onde nos abordaram, entreguei-o à dois policiais que por ali passavam e o mesmo foi preso. Dias depois, fui ao seu julgamento, Sua Exelência, o Juiz responsável, questionou a mim e ao meu amigo quanto o que fazíamos dando "bobeira" na rua. Disse que para evitar alegrar bandidos, ele mesmo, anda com um celular simples e objetos que não chamam a atenção.
          Não acho que o Sr. Juiz estivesse errado em dar os "conselhos" que deu, mas o que ele falou, com certeza, revela a situação em que vivemos no país. Fico impressionado com o Brasil: uma pessoa "de bem" que trabalha para adquirir seu bem não pode sequer viver tranquilo porque se utilizar o seu bem e o mesmo for visto por pessoas que levam a vida desonestamente, pode perder o bem e até mesmo a própria vida. O que aquele Juiz me falou mostra quem é que exerce o domínio em nossa sociedade: os bandidos!
          Nesses últimos dias, tem corrido pela internet, um vídeo que mostra um cidadão andando em sua moto nova, em um determinado ponto, ele é abordado por dois ladrões, armados, que ameaçando a sua vida, apontam a arma em sua direção e lhe tomam a moto. O que os bandidos não esperavam, é que por ali, passava o Capitão Antônio Bernardo, que de prontidão, desce do carro e efetua alguns disparos contra um dos assaltantes e o derruba. Esse mesmo policial, que agiu rapidamente para impedir o roubo foi punido pela "brutalidade" que cometeu.
          Não é engraçado, que ao mesmo tempo que a Constituição Brasileira me diz que tenho certos direitos, eu me deparo com a dura realidade de que não os tenho? Por exemplo, a lei nos diz:
"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição..." CF/88, Art. 5º, I.
          Só isso, já confirma exatamente o que mencionei anteriormente:
          1. "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza": a primeira mentira é que todos somos iguais. Não somos. Os mesmos jovens que crescem no mesmo lugar, e tem as mesmas oportunidades não aproveitam estas oportunidades. O que aconteceu com os alunos das escolas públicas? Todos viraram bandidos? Não. Então ser bandido não é uma opção de quem estuda em escola pública. E por que me refiro à educação pública? Porque o argumento das pessoas que defendem esses bandidos, é o de que eles não tiveram oportunidade... se não tivessem acesso à escola, alimentação, informação... aí sim, e nem tanto, porque antes de todos os programas sociais que existem hoje, a pobreza já não era desculpa para a criminalidade.
          2. "garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida": temos mesmo esta segurança mesmo? Podemos sair tranquilos com uma baixa porcentagem de possibilidade de sermos assaltados, sequestrados e mesmo mortos?
          3. "à liberdade": você anda pelas ruas e vê casas bem abertas?
          4. "à igualdade": bem, deixe-me lembrar que o artigo começa dizendo que "todos são iguais perante a lei", o que nos diferencia dos políticos que elegemos para nos representar? Eles não são humanos, é isso, porque eles tem vantagens discrepantes em relação aos demais brasileiros?
          5. "à segurança": todas as alternativas anteriores e a próxima.
         6. "à propriedade": "Todos" os brasileiros, "sem distinção" e "de qualquer natureza" tem uma casa, né?!
          Bem, parece que a letra da lei está bem longe de demonstrar a realidade, não é mesmo?! Pois então, onde vamos parar? Não adianta você esperar pelos outros cumprirem a lei... "seja a mudança que você quer no mundo"  - Dalai Lama.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

ESPAÇO ESCOLAR: PENSAR, FAZER

           Há várias formas de se conhecer o mundo e a escola é responsável em proporcionar as diversas formas de conhecimento. É de fundamental importância, que o professor saiba propor as formas com as quais deseja trabalhar com seus alunos, embora possa escolher diversas formas, deve tomar certos cuidados especialmente ao propor uma pesquisa.

            Infelizmente, o que se vê muitas vezes hoje é o professor que não sabe propor da forma correta ou melhor possível esse tipo de atividade. Muitas vezes poda uma enorme gama de caminhos nos quais o aluno poderia experimentar para que todos os alunos se encaixem em um determinado padrão que, convenhamos, é desnecessário.
            Mas as propostas de pesquisa têm muito que ver com o tipo de professor que está propondo. Se for um professor possuidor do saber, a pesquisa que este propor terá um objetivo claro que é o de que o aluno obtenha mais conhecimento, conhecimento este que, muitas vezes, de nada servirá em sua vida, uma vez que praticamente, só será utilizado na teoria. Isso é um paradoxo, mas em contraste, temos o professor que está preocupado de fato no crescimento do aluno, não apenas em termos acadêmicos, mas em termos de vida em geral, este é o professor construtor do saber, junto com o aluno, seu objetivo é proporcionar ao aluno, o máximo de experiências possíveis para que uma vez tidas como parte de suas vidas, os alunos jamais se esqueçam deste aprendizado, e assim, sejam capazes de aplicar o conhecimento obtido em outras situações que exijam este tipo de conhecimento.
            Uma das exigências para o próprio professor, é de que ela não indique o caminho no qual o aluno deverá se aventurar, mas que o professor acompanhe o aluno em suas descobertas e sua presença e participação será de grande valia para que o aluno não se perca no processo de construção do conhecimento, deixando, por exemplo, de observar pontos importantes ou perdendo tempo com coisas triviais.
            Atualmente as pesquisas nas escolas tem tido seu real propósito adulterado por um pensamento que se disseminou de que pesquisar é buscar definições já prontas e apresenta-las ao professor. Uma “pesquisa” desta forma não ajudará muito o aluno a desenvolver seu pensamento crítico, especialmente quando o aluno pesquisa teoria sem a ajuda do professor. Talvez muitos professores que propõem atividades desta forma, pensem que já que sua explicação não foi suficiente, o aluno deverá descobrir por outros modos uma explicação melhor, ignorando o fato de este precisar entender o conceito, quem sabe, no caso, de forma mais tridimensional.
            Usando este exemplo do tridimensional podemos compreender que é muito mais fácil obter informações ou copiar algo bidimensional, mas para se entender o tridimensional, é necessário uma experiência que só quem vivenciá-la poderá compreender. Já que estamos falando de arte-educação, falemos de modo mais artístico; é mais fácil olhar algo bidimensional e desenhar que algo tridimensional. Para compreender o tridimensional, é necessário que a experiência com o espaço e com o objeto seja mais íntima. Assim, a pesquisa deve ser como obter informações de um objeto tridimensional de forma tridimensional.
            A partir da observação, da experiência com o tema, é necessário se trabalhar o aspecto crítico dos alunos e também incentivá-los a criar, a partir do que foi pesquisado, transformando a pesquisa em um meio, ao invés de um fim em si mesma. O professor precisa propor temas instigantes, que façam o aluno refletir e buscar soluções para problemas práticos, do seu dia a dia.
            Já que a pesquisa não pode ser um fim, mas um meio, é interessante, portanto, a participação do professor no processo da pesquisa. O professor deve acompanhar os alunos a fim de auxiliá-los,  por exemplo, nas fontes a serem pesquisadas, nas fontes que estão sendo pesquisadas... Tudo isso ajudará o professor a fazer uma avaliação do processo de aprendizagem do aluno, pois, à medida que este explana seus resultados, o professor tem a capacidade de identificar o grau de amadurecimento do aluno em relação ao tema pesquisado.
            Para um melhor desenvolvimento da pesquisa, é também necessário que o professor tenha a sensibilidade de perceber quais serão as melhores estratégias para se ter uma boa pesquisa. Lembrando que esta não é um fim, como um meio, todas as condições favoráveis possíveis devem ser levadas em conta. Algumas pesquisas exigirão dos alunos disponibilidade do mesmo horário, outras de diversidade de conhecimentos, outra de talvez de afinidade e assim por diante. O professor precisa pensar quais serão as melhores condições para se ter uma boa pesquisa, visto que de certa forma, ele irá pesquisar junto com seus alunos, muito embora tenha outros objetivos ali.
            Pesquisas não podem ser o objetivo do professor em ter a prova de que o aluno teve contato com o tema fora da sala de aula simplesmente. Embora ela seja utilizada desta forma, ela é uma ferramenta importantíssima e muito interessante para se trabalhar o conhecimento de mundo dos alunos, visto que estes não conhecem o mundo de forma bidimensional, mas estão o tempo todo aprendendo ao se deslocarem de suas casas para a escola e vice-versa, ao se sentarem frente à um computador ou televisão, ao escutarem música, ao lerem, enfim, ao usar seus cinco sentidos, tudo o que é experimentado por estes passa a ser uma experiência que mesmo se for esquecida, continuará a exercer influências na vida dos alunos ao tomarem decisões no futuro, ainda que estas sejam consideradas sem muita importância ou irrelevantes. O mundo é um gigantesco tema de pesquisa, estamos inseridos nele, mas podemos perder muitas experiências agradáveis e construtivas se não o explorarmos. O pesquisador é um explorador, não um narrador de histórias vividas por outros. O professor tem portanto, o papel fundamental de ajudar seus alunos a serem pesquisadores, não monges copistas.


Baseado no texto:

PESQUISA NA ESCOLA: QUE ESPAÇO É ESSE? O DO CONTEÚDO OU O DO PENSAMENTO CRÍTICO? 

REFERÊNCIAS


Maria Otilia Guimarães Ninin, PESQUISA NA ESCOLA: QUE ESPAÇO É ESSE? O DO CONTEÚDO OU O DO PENSAMENTO CRÍTICO? São Paulo.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

SER PROFESSOR NÃO É PARA QUALQUER UM

"As crianças assim educadas serão sempre deficientes em energia moral e responsabilidade como indivíduos. Não foram ensinadas a agir movidas pela razão e por princípios; sua vontade foi controlada por outros, e a mente não foi desafiada para que pudesse expandir-se e fortalecer-se pelo exercício. Não foram dirigidas e disciplinadas com respeito a sua constituição peculiar, e a sua capacidade mental, de modo a desenvolverem as mais vigorosas faculdades da mente, quando necessário. Os professores não devem parar aí, mas dar atenção especial ao cultivo das faculdades mais débeis, para que todas sejam exercitadas, e levadas de um a outro grau de vigor, de modo que a mente atinja as devidas proporções." - Conselhos Sobre Educação, p. 2.

               Muitas pessoas se aventuram na vida docente sem saber ao certo o que é ser um professor. Muitos alunos acabam sendo humilhados por conta disso, quando em uma sala de aula, duas realidades se confrontam, a do que tem muito conhecimento a respeito da matéria a ser estudada (suposto professor) e a do que tem pouco ou nenhum conhecimento (o aluno).
                Isso acontece devido a ideia que se tem de que para dar aula, é suficientemente necessário que a pessoa tenha conhecimento técnico. O problema é que muitas pessoas que vão dar aula tem muito conhecimento técnico, mas às vezes, pouco conhecimento sobre respeito ao outro.
                Em certas universidades e escolas, não é muito difícil encontrar supostos professores que se gabam em reprovar muitos alunos ou dificultar ao máximo a aprovação do aluno em sua matéria. Seria a nota um bom parâmetro para se conhecer o perfil de um professor? Não. Tive péssimos professores em minha vida, que para se obter uma boa nota, bastava fazer algumas atividades sem sentido e o fazer já era suficiente, outros que considero muito bons, no entanto, tirei nota baixa.

                O professor não é bom quando passa muitos alunos ou reprova-os, mas é bom quando possibilita aos seus alunos reflexões necessárias para aprender a aplicar o conhecimento durante sua vida, especialmente a profissional, no caso de um ensino mais técnico. Agora, se uma turma inteira ou quase toda reprova, será que são os alunos que tem dificuldade de aprendizado, ou temos um professor com problemas de ensino?
                Para ser professor, não basta dominar as técnicas, mas é necessário que, especialmente, domine o respeito ao outro, tendo a consciência de que cada aluno é uma particularidade.
                E para um professor de ates?
                Geralmente, os professores de arte sempre tem um sonho ao irem para a escola, anseiam mudanças e tem muitas ideias, mas os problemas surgem na hora de fazer mudanças, boa parte acaba caindo na mediocridade, caindo no ciclo da auto sabotagem, repetindo os mesmos erros daqueles que foram seus professores e daqueles que passaram por este cargo deixando seus maus hábitos.
                Todos esses costumes se arraigam nas instituições e sair deste ciclo é muito complicado, por isso querer mudança é muito fácil, mas permanecer coerentemente agindo de acordo com o querer é que é difícil, lida muitas vezes com o ego, é uma tentação cair na rotina.
                Temos o problema de ter vários cursos superiores, inclusive o de arte, implantados na concepção taylorista. Uma educação fragmentária, focada na especialização, mas o caráter humanitário, muitas vezes é deixado de lado.
                O que me preocupa nisso tudo é que ainda que a própria instituição forneça oportunidade para fazer (e é aí onde a tentação é forte ao lidar com o ego), como por exemplo a Universidade de Brasília, onde estudo. É preocupante ver alunos de licenciatura que ainda pensam em não ser professores, outros que dizem, como escutei outro dia: “eu é que não quero dar aula para pirralhos”. Gente que não procura nem mesmo se envolver com seus demais colegas em sala de aula, como pretendem lidar com pessoas? Podem até aprender o máximo possível e conservar todo o conhecimento, mas transferir este conhecimento para outras pessoas requer mais que a habilidade de falar, fazer slides, escrever... tem que se relacionar com seus alunos. É necessário aprender a viver, com pessoas e para as pessoas. Todas as vezes que tentarmos viver apenas para nós mesmos, faremos mal aos outros, e talvez, só perceberemos quando for muito tarde e quando muito estrago já tiver sido causado.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

PENSANDO BEM...

"Como o homem pensa, assim ele é. Nosso aperfeiçoamento na pureza moral depende do reto pensar e reto agir. ... Os pensamentos maus destroem a mente...  Precisamos de uma constante intuição do enobrecedor poder dos pensamentos puros, e da influência daninha dos pensamentos maus." Mente, Cárater e Personalidade, V. 1. Pág. 235 e 236.

            Se há uma habilidade característica essencial para os seres humanos, esta é a habilidade de pensar, não sei como andam os estudos nessas áreas, mas até hoje, nunca soube de algum ser humano que não pense, a não ser é claro, segundo a teoria da evolução das espécies que prega que o ser humano é um produto de um processo evolutivo que o trouxe onde está, se levarmos em consideração esta teoria, teremos então, em algum momento muito distante seres humanos (se assim o podemos chamar) que não pensavam e a evolução deu-lhes em algum momento a habilidade de pensar enquanto os outros animais vivem por meio de seus extintos.
            Até onde sei, todo ser humano pensa. Consideramos que alguns pensam mais que os outros e muitas vezes, quando pretendemos ofender alguém, lhe chamamos de burro, idiota, besta, etc... são termos que utilizamos para dizer que a pessoa não tem a capacidade que temos de pensar e avaliar as circunstâncias. Às vezes vamos mais longe na ofensa pretendendo afirmar que a pessoa não chega nem a ter esta habilidade, igualando-a à animais irracionais, pela evolução, dizemos que esta pessoa portanto, não é evoluída e pela teoria do criacionismo, esta pessoa não é a imagem de Deus, portanto, ela é do mal... Seja qual for a intenção e por qualquer meio, dizer que uma pessoa não pensa é considera-la inferior às demais pessoas.
            A verdade é que ao menos, todas as pessoas que vão à escola, pensam. Agora, uma das grandes preocupações que o educador deve ter é com relação aos pensamentos que seus alunos têm.
            Os pensamentos devem ser algo de extrema consideração, afinal, como educadores, pretendemos educar as crianças e jovens para uma vida sadia, produtiva e no mínimo equilibrada.
            Existe um ditado que diz: “você é o que você come”, eu diria que nós somos o que pensamos, mas este insight não é uma criação minha, é apenas uma ideia baseada na compreensão que outros já tiveram antes de mim. Nós somos produtos do que pensamos e por isso, se pretendemos formar pessoas capacitadas para fazerem (boas) escolhas, pessoas criativas e também produtivas, precisamos estimular as crianças e jovens a terem tais pensamentos.
            É triste ver o tipo de pensamentos que os jovens de hoje têm tido, e nas pessoas que têm se tornado. Recentemente, estive com uma turma de ensino médio e ouvi algumas coisas sobre os tipos de conversas e comportamento que aqueles jovens tinham. Os pensamentos que são normalmente cultivados nos jovens de hoje são pensamentos de consumismo, egoísmo, conformismo ou indiferença com o que está fora de sua zona de conforto. Como isso pode ser trabalhado para que seja mudado?
            Uma coisa é certa, o educador que queira ajudar seus alunos a terem bons pensamentos, precisa, primeiramente, ter bons pensamentos. Um educador que pretende educar pessoas para uma vida produtiva, sadia e equilibrada, deve este, ser primeiramente. O professor é constantemente apreciado por seus alunos, a fim de ser tomado como bom ou mau exemplo. Tive professores e professoras que até hoje ou os exalto ou os uso como exemplos de fracasso. Eu quero poder ser uma boa influência para os alunos que eu puder ter, e você?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

DEZ PARA A CONFIANÇA OU DESCONFIANÇA?


“O educador prudente... procurará promover a confiança e fortalecer o sentimento de honra. As crianças e jovens são beneficiadas quando se deposita neles confiança. Muitos, mesmo dentre os pequeninos, têm um elevado senso de honra, todos desejam ser tratados com confiança e respeito, e têm direito a isso. Deve-se ter cuidado de eles não pressintam não poderem sair ou entrar sem ser vigiados. A suspeita desmoraliza, produzindo os mesmos males que procura evitar... Levemos os jovens a sentir que merecem confiança, e poucos haverá que não procurarão mostrar-se dignos dessa confiança.” – Educação, pág. 289, 290 (1903).

Certo dia, assisti uma matéria de um programa televisivo. O repórter perguntava para alguns brasileiros se eles achavam que no Brasil (especialmente em Brasília) havia muita desonestidade. Sim, eram as respostas. Em seguida ele perguntava se estas pessoas se consideravam honestas. A reação de surpresa era instantânea: uma rápida reflexão e as respostas variavam entre sim e não. Muitas pessoas fora do Brasil considera o brasileiro uma pessoa não muito digna de confiança, de onde nasceu este preconceito e quem é o povo considerado de melhor confiança? Mas no Brasil, o pensamento é o mesmo?
Imagine uma sala de aula em um momento de prova. A você que imagina o professor atento à menor suspeita de cola, deve ser feita a seguinte pergunta: o que aquele professor está fazendo ali? Sim, esta pergunta deve ser feita, uma vez que ao professor estar atento à má fé dos alunos, ele próprio está dizendo aos alunos que não confia neles. Um ato desse, soaria ofensivo à muitos de nós, caso compreendêssemos a profundidade de algo assim. Ninguém se sentiria bem em um lugar em que seu caráter é questionado.
Eu não concordo que o professor vigie seus alunos enquanto realizam uma prova. Mas é claro que se a partir de amanhã muitos ou todos os professores adotarem esta posição (em sala de aula), muitas coisas podem acontecer: Alguns alunos ao entenderem que o professor não desconfia de seu caráter, se sentirão mais livres e usarão esta liberdade para exercerem dignamente a sua honestidade enquanto outros irão aproveitar esta atitude do professor para usarem sua liberdade para seus intuitos egoístas agindo desonestamente.
Algo assim, é uma questão de tempo. Até que a educação brasileira esteja plenamente apta para que nenhuma escola precise adotar este método de vigiar os alunos, muitos anos serão percorridos. Penso que podemos começar no primeiro ano tirando este hábito da primeira série, no segundo ano da segunda série, terceiro ano terceira série e assim por diante, seriam no mínimo onze ou doze anos. Mas com certeza, esse tipo de método seria muito mais eficaz se as famílias estivessem estimulando paralelamente estas crianças e adolescentes a exercerem de modo positivo sua liberdade, em seus lares.
Nós estamos muitas vezes tão possuídos pela desconfiança nos outros que aprendemos na escola, que pensar em uma educação assim parece inviável: e os alunos desonestos? Em minha opinião (que é a mesma da autora da citação acima) os desonestos seriam minoria, gente que não sabe exercer bem sua liberdade, mas estes seriam prontamente assistenciados pelos seus colegas honestos. Crianças estimuladas a serem honestas não irão colar, dar cola ou apoiar quem cola. A criança desonesta seria denunciada pelos seus colegas ou se constrangeria por sua atitude em meio aos demais.
Certo dia, em uma reunião, alguém comentou:
- Hoje nós nem temos muito a noção do que é honra...
- ...só os japoneses... – Brinquei.
Eu vejo crianças como meu irmão, recém-ingressas no sistema educacional e fico admirado com tamanho orgulho de si ao tirarem boas notas e desapontados ao tirarem más notas. Mas devem ser raros os casos de crianças nestas séries iniciais que se orgulham de terem tirado uma boa nota decorrente de um ato desonesto.
Me lembro que quando estava na segunda série, a minha turma começou a aprender tabuada. A avaliação da professora era colocar três alunos virados para o quadro e responder o que ela perguntasse. Uma menina (repetente, portanto, mais velha que os demais) respondia as perguntas com a cabeça encostada no quadro, demorava mas acertava. Para a surpresa de todos, a professora descobriu que a menina estava com a tabuada na sua frente, presa com sua testa no quadro e bem diante de seus olhos. Nós, mais novos, ficamos escandalizados, rimos dela, achando que aquilo era uma verdadeira tolice. Ao ficarmos mais velhos, cada um foi desenvolvendo sua estratégia de tirar vantagem em cima da desatenção do professor.
Eu tenho meu orgulho de dizer que nunca colei, não que eu nunca tenha pensado em fazer isso, mas acho que nunca tive coragem mesmo, prefiro tirar uma nota baixa a correr o risco de ser conhecido como desonesto. Mas certa vez eu posso dizer que colei, embora não diga. Era uma prova de ciências, na sexta série. Eu estava por dentro da matéria e diante da prova me deparei com uma pergunta que eu sabia a resposta mas não conseguia me lembrar, então perguntei ao meu melhor amigo que estava na cadeira ao lado. Foi muito engraçado e constrangedor, porque ele pensou que eu estava querendo cola, mas na verdade eu simplesmente esqueci que estávamos em momento de prova, tanto é que perguntei em alto e bom som. Ele ficou com medo, e antes de me dar a resposta cochichou para que eu falasse baixo. Eu então me toquei, fiquei com tanto medo que não tive coragem nem de dizer para ele não me falar a resposta mais. Mas sabe aquelas horas que você pensa em tudo em milésimos de segundo? No intervalo em que ele me pediu para falar baixo e me dar a resposta eu raciocinei que fora sorte eu ter falado alto e a professora não ter escutado então, era melhor não falar mais nada para não correr o risco dela ver, prejudicando assim ao meu amigo e eu. Acho que isso pode ter sido considerado cola uma vez que me utilizei da resposta do meu amigo para ganhar o pontinho daquela questão, mas por outro lado não acho que possa ter sido considerado uma vez que eu sabia a resposta embora não me lembrasse a palavra e que no fundo, eu não tinha a mínima intenção de colar. Julgue você o que achar correto.
Precisamos como educadores, resgatar o senso de honra nos estudantes, para que sejam cidadãos mais ativos na sociedade, incomodados com as injustiças, desigualdades, omissões... que se inquietem e saibam tomar uma posição firme diante do que vivenciarem, para o bem e contra o mal, pois há dentro de cada um uma inquietação, mas se esta não é trabalhada, acabamos repetindo o que a maioria das pessoas fazem: ficam omissas. Há ainda diversos outros costumes existentes na educação brasileira que induzem os alunos a se tornarem desconfiados, perderem o senso de honra e honestidade e respeitarem a si mesmos e aos outros, mas por hoje, paramos por aqui, no texto.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

TRAMPOLIM INTERDITADO


 “Se toda a atenção e força forem dadas a uma só, enquanto as outras permanecem inativas, essa terá um grande desenvolvimento, que a levará a extremos, porque não cultivou, todas as faculdades. Algumas mentes ficam anãs, sem o devido equilíbrio. Nem todas as mentes são iguais por natureza. Temos mentalidades várias; alguns são fortes em determinados pontos, e muitos fracos em outros.” – Mente, Caráter e Personalidade. Vol. 1. Pág. 50.

Os estudantes que querem andar a passos largos em Brasília terão que achar outra forma para fazê-lo porque não podem mais pular. Não é mais permitido pular os alunos não concluintes do último ano do ensino médio para a Universidade de Brasília.
“A Promotoria de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) se posicionou favorável à nova norma do Conselho de Educação do DF (CEDF) que veta a conclusão antecipada do 3º ano do ensino médio. Os promotores defendem que a resolução não é inconstitucional, principal argumento usado pelas entidades representativas de pais e estudantes na tentativa de derrubar judicialmente a determinação distrital. Segundo a promotora Tânia Regina Fernandes, a orientação do CEDF às escolas é baseada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). ‘A norma não tem nada de inconstitucional. É uma orientação que deixa claro o que é previsto em uma lei ordinária nacional’, explicou a representante do MPDFT. Segundo ela, a LDB prevê que o ensino médio tenha, no mínimo, três anos. ‘A exceção é aplicada somente para os estudantes com altas habilidades comprovadas. Fora esses casos, não há uma lei que permita o término da última etapa da educação básica antes desse período’, completou Tânia.” - http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_ensinosuperior/2013/01/10/ensino_ensinosuperior_interna,343214/mp-e-contra-o-fim-prematuro-do-3-ano.shtml.
“Esta norma do Conselho de Educação do DF vai de encontro com o que a gente vivencia no ambiente universitário. O aluno do ensino superior ainda entra muito imaturo. É preciso dar um espaço de amadurecimento para essas pessoas. Na verdade, essa norma abre uma discussão maior. Para receber os alunos precoces, seria necessário mudar o estilo da universidade e o modelo pedagógico do ensino médio. Algumas instituições internacionais conseguem adiar a escolha dos egressos ao fazer a seleção por área e não por curso específico. O ensino médio também deveria trabalhar essa transição, está tudo associado. O aluno nas últimas três séries acaba tendo os estudos muito voltados para o vestibular. Uma boa mudança seria inserir no currículo algumas reflexões em relação ao mundo do trabalho, no qual ele vai ser inserido depois. É claro que estamos falando da formação da pessoa como cidadão, ser humano, mas ele vai ser encaminhado para a formação profissional e isso começa no ensino médio. A decisão do conselho é pontual, mas é um ponto positivo para refletir os modelos." Bernardo Kipnis (Professor da Faculdade de Educação da UnB e doutor em educação pela Universidade de Londres) - http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=93411.
Este é um assunto muito delicado e concordo plenamente com o comentário do Professor Kipnis. Se for feito uma comparação entre os estudantes das universidades brasileira no decorrer da história, pode-se notar que os jovens estão ingressando cada vez mais cedo no ensino superior, me pergunto por quê e para quê?
Ao conversar com pessoas que se formaram na UnB, por exemplo, nas décadas de 60 à 80, por aí, é muito comum ouvir o comentário de que naquela época, as pessoas entravam bem mais tarde na Universidade. Ao terminar seus estudos, antes de ingressarem na universidade, as pessoas procuravam explorar um pouco o mundo, na medida do possível. Depois, ao terem então uma certa experiência de vida, iam adentrar em uma universidade.
Ao ouvir estes relatos, fico então me imaginando nesta época, com a idade que tenho hoje, viajando por aí e conhecendo coisas novas, conhecendo outros países, outras culturas... na verdade hoje é diferente. Os jovens querem primeiro ter um diploma de nível superior e um emprego o mais estável possível para então começarem a explorar o mundo. Quanto ao termo “explorar”, acho que é pano para outra manga.
Impedir que os alunos do último ano do ensino médio ingressem na universidade pode ser muito bom para algumas pessoas e muito ruim para outras, mas a verdade é que esta decisão não é uma afirmação de que o aluno não tenha capacidade intelectual para ingressar na universidade. Quanto à sua capacidade emocional, esta sim precisa ser verificada.
Eu concluí o ensino médio em 2008, já sabia o que queria: estudar artes plásticas e arquitetura. Já havia planejado como fazer: primeiro artes, depois arquitetura. Em meus sonhos, no ano seguinte ingressaria no ensino superior, mas não foi bem isso que aconteceu, não passei no vestibular que fiz para o segundo semestre de  2009 e só passei no primeiro de 2010. Para mim, aquilo era um grande atraso de vida e por não ter mais ânimo para estudar, cada vestibular que passava, minha chance eram menores de ser aprovado. Mas o que ocorreu foi que exatamente no final daquele ano me envolvi em um projeto no Tocantins, onde pela primeira vez fiquei longe de minha família, num lugar desconhecido até então e com pessoas também desconhecidas. Aquela foi a minha grande oportunidade de aprender a lidar com pessoas diferentes em situações também muito diferentes da minha realidade até então.
Hoje, conto para todos que eu não estaria tão preparado psicologicamente para entrar na universidade em 2009 como estava em 2010. O aprendizado tão marcante que costumo dizer que 50% de tudo que sei hoje, aprendi em dois meses no Tocantins.
É muito comum se encontrar estudantes na UnB que ingressaram na metade do 3º ano do ensino médio, difícil é encontrar alunos formados e sem problemas em seu curso nesta mesma situação. Boa parte dos alunos que ingressam na universidade vindo sem o ensino médio completo, passaram em cursos que não são bem o que queriam, porque geralmente querem cursos com uma alta nota de corte e para terem mais chance de ingressar, entram em cursos com uma nota de corte inferior ao que realmente queriam. Mais frustrados ficam quando percebem que com a nota que entraram, poderiam ter entrado no curso que queriam, como em alguns casos que conheço.
Aí estes alunos começam a tentar mudar de curso, vão fazendo vestibular, tentando transferência interna, seja o que for. Isso não é ruim para o aluno, correr atrás de seus ideais, é louvável. Mas ao deixar sua vaga ao mudar de curso, implica deixar uma pessoa que queria estar em seu lugar, mas ele tomou sua vaga. Prejuízo para o aluno que não passou, para os cofres públicos, para os professores que lhe deram aula... em maior ou menor escala, prejuízo.
Fora que ao entrar na universidade, seja no curso dos seus sonhos, seja no curso de seus pesadelos, tudo é muito legal. Fascinante. A vontade é experimentar tudo o que puder ser experimentado lá. E é aqui onde a maturidade novamente tem voz. Quando digo que não estaria tão preparado em 2009 quanto em 2010, quero dizer que meus princípios estavam muito mais vulneráveis em 2009 que em 2010. É daí onde surge (e com razão) a preocupação de muitos mais velhos com relação à um calouro na universidade. O ser humano, tem por natureza, a tendência de caminhar para o exagero. E ao ingressar na universidade, com certeza, o aluno precisa ter uma estrutura psicológica equilibrada para ser capaz de tomar boas decisões diante das situações em que se deparar.
Novamente concordando com o professor Kipnis, o ensino médio deve ter sim esta responsabilidade de procurar ajudar seus alunos a serem pessoas equilibradas, mas vou um pouco mais longe, o ensino completo: maternal, infantil, fundamental, médio e a família que, ao meu ver é a mais responsável por isso. Sei que o professor Kipinis, não se referiu apenas ao ensino médio como o único responsável, mas como ele disse, isso é uma abertura (bem abrangente para uma discursão).

BRASILEIROS BURROS?

O Brasil é um país em desenvolvimento. Não é difícil notar o grande salto que deu no decorrer dos últimos anos em diversas áreas, ainda assim, todos nós estamos cientes de seus problemas. É interessante que praticamente todos os brasileiros sabem os avanços e os atrasos do Brasil, por isso não é novidade falar sobre um dos maiores problemas do Brasil: a educação. Ouço muito falar que o brasileiro é muito burro, por diversas razões, dentre elas a de não saber reclamar seus direitos ou escolher um representante político, mas será que há mesmo, tantas pessoas burras no quinto maior país do mundo?
Antes de ingressar na universidade, eu já tinha diversos projetos educacionais em construção na mente. Me interesso especialmente pela educação que vou chamar aqui de não tradicional. Esse tipo de educação como o EJA, altas habilidades e educação com necessidades especiais
Acho que este interesse surgiu em especial quanto eu estava no terceiro ano do ensino médio, duas coisas em especial me fizeram ver as coisas por outro ângulo: ingressar no Programa de Altas Habilidades em artes e tirar notas baixas em matemática. Para mim, dois grandes contrastes.
Sempre me destaquei nas matérias de artes por estar sempre à frente dos meus colegas em desenho, por conta disso, sempre fui muito bem tratado pelas professoras (não cheguei a ter professor) desta matéria.
Já em matemática, fui até bem até a quarta série, época em que minha mãe trabalhava muito e eu ficava só com minha irmã, acabei sendo influenciado a me aventurar pelo mundo (meu mundo era o meu bairro e depois bairros vizinhos) com certos amigos e meu rendimento escolar começou a cair. A partir da quinta série minha história mudou drasticamente.
         Vou fazer o relato apenas voltado para matemática. No fim da quarta série, minha mãe resolveu transferir minha irmã e eu para escolas próximas do trabalho dela, onde ela pudesse nos acompanhar mais de perto, rapidamente minhas notas subiram. Mas ao passar para a quinta série, a mudança de cara era que tinha um professor(a) para cada matéria. Minha professora de matemática logo me deu um gelo dizendo não ser irmã da minha mãe para  que eu a chamasse de tia. Eu havia aprendido com minha mãe que chamar os mais velhos de tio ou tia era uma questão de respeito, ali houve o primeiro confronto, ela estava rebaixando na minha frente, a educação da minha mãe. Eu embora não gostasse muito do jeito daquela professora (um jeito muito grosseiro em minha opinião) tinha uma profunda vontade de lhe agradar, eu a achava bonita e inteligente, mas meus esforços pareciam fracassar vez após vez. Havia um colega de classe que era todo bonitinho, inteligente, simpático, este se destacava nas aulas dela, de modo que apenas ele podia dar uma resposta sem precisar explicar como havia chegado a tal conclusão, bastava dizer: “tá na cara”, ela sorria e confirmava: “realmente, está na cara”. Mais ninguém ousasse usar a explicação deste menino, ela fachava a cara e pedia uma explicação clara, ainda que a resposta estivesse na cara, isso me chateava.  Mas uma coisa que me feriu de verdade foi quando ela passou uma tarefa para fazer em casa: desenhar a planta da sua casa utilizando uma escala (acho que era 1:100 ou 1:200) e colocar as medidas. Eu vi ali uma ótima oportunidade de agradá-la, era um desenho, acho que fiquei tão feliz que não entendi a parte de colocar as medidas. Cheguei em casa e fiz o exercício com minha mãe, me lembro bem da gente medindo as paredes com a fita métrica que ela até hoje tem. Na aula seguinte, lá estava eu, todo orgulhoso com o meu caderno de desenho em mãos e minha primeira planta.
- Onde estão as medidas? – Pergunta a professora.
- Que medidas? – Pergunto.
- As medidas da casa que eu pedi.
Fiquei sem chão e tentei explicar que embora eu não soubesse que era para por as medidas, como a planta estava na escala, não seria difícil descobrí-las. Ela não quis saber de explicações, me mandou levantar e sair de sala, eu não iria assistir aquela aula. Saí e chorei. Fui consolado pela porteira e por um aluno de uma turma de aceleração, que me fez sorrir e ajudar a ter uma raiva profunda daquela professora. Decidi que não iria mais tentar agradá-la de forma nenhuma, dalí em diante também não me interessei em mais nada que ela dissesse ou fizesse, consequentemente, passei a odiar matemática também até que cheguei à sexta série. O professor era fantástico (fantárdico, como diria o Tiririca), ele fazia aquele monte de números fazer sentido em minha cabeça, tanto que em sua primeira prova (sobre números positivos e negativos) eu vi uma questão que a achei tão óbvia que marquei a resposta errada por achar que aquilo não pudesse ser tão fácil, quando ele foi explicar as respostas das provas e vi que havia acertado a questão (só errei ao marcar, porque marquei 7 em lugar de -7), fiquei radiante de felicidade ao descobrir que eu não era tão burro quanto a antiga professora me fezera pensar que fosse. Mas o pior aconteceu: logo aquele professor foi transferido e as professoras que o substituíram não eram tão claras como ele para mim criando-se então, uma barreira entre mim e esta ciência.
Só na sétima série é que consegui ter um professor que me fizesse entender esta disciplina. Mas o pior aconteceu: logo aquele professor foi transferido e a professora que o substituiu não era tão clara como ele para mim, retornando a construção da barreira entre mim e a matemática. A cena continuou até o terceiro ano do ensino médio, quando em meu boletim apareceu mais uma nota baixa em matemática, eu corria o risco de ser reprovado, o que não seria nada bom naquela altura do campeonato... fiquei revoltado, pensei em desistir de tudo aquilo, mas ao conversar com os coordenadores, eles me indicaram o Professor Mauro.
Minha nota não deveria ter sido baixa se eu tivesse feito o teste valendo ponto. Eu havia estudado como nunca para ele (e aprendido como nunca também), mas no dia do teste, algo conspirou para que eu chegasse atrasado e o professor não me desse outra oportunidade. Ao estudar com o professor Mauro, comecei a descobrir o potencial que havia dentro de mim, porque ele começou a identificar as falhas que haviam em mim que me faziam muitas vezes não entender nada da matéria. O problema não era minha burrice, era apenas uma falha que ocorreu no meu processo de formação e ninguém identificou, só foram me jogando para frente. Com o professor Mauro, aprendi a estudar matemática sozinho e descobrir que eu era capaz de aprender só! Foi um momento mágico, ao passo que comecei a refletir em quantos alunos estão espalhados por este país na mesma situação em que eu me encontrava.
Descobri ali que não há gente burra, existem pessoas com falhas no processo de formação. Quem não consegue identificar isso nas outras pessoas tende a considerá-las burras. Ao olhar daqui, acho que os valores é que estão invertidos. Um professor consegue identificar trinta alunos problema em uma turma de quarenta. São alunos que não conseguem se concentrar na aula, são agitados ou muito parados, será que estamos diante de um monte de alunos problema e um professor muito sabido, ou um professor problema com alunos que não conseguem ser atraídos por sua didática?

Agradecimentos:
Professoras de arte que tive: Liliane(5ª e 6ª), Adriana ( final da 6ª), até o ensino médio eu não me lembro bem quem foram as outras, porque eram cinco professoras para todas as matérias, então cada uma ficava responsável por umas três matérias, eram Kelly, Charlene, Isaura, Liliane e se você esteve nesta fase e seu nome não está aqui, pode reividicá-lo. Matemática: infelizmente não me lembro o nome dos meus melhores professores que comentei, quanto a da quinta e o do terceiro ano, não lhes citarei por não achar conveniente, interessante e ético, já que falei de seus maus feitos e com certeza muitas pessoas foram (bem) influenciadas por essas duas pessoas. E quantos aos outros professores e professoras de matemática, me lembro dos seguintes: Iolanda, Isaura e Marciliano.
Não vou deixar de expressar minha gratidão também às professoras de 1ª à 4ª: Zulma, Diana, Francisca, Isaura. E peço perdão à duas que gosto muito mas que me deu um branco de seus nomes, a do final da minha quarta série e a do primeiro ano do ensino médio.