Há
várias formas de se conhecer o mundo e a escola é responsável em proporcionar
as diversas formas de conhecimento. É de fundamental importância, que o
professor saiba propor as formas com as quais deseja trabalhar com seus alunos,
embora possa escolher diversas formas, deve tomar certos cuidados especialmente
ao propor uma pesquisa.

Infelizmente,
o que se vê muitas vezes hoje é o professor que não sabe propor da forma
correta ou melhor possível esse tipo de atividade. Muitas vezes poda uma enorme
gama de caminhos nos quais o aluno poderia experimentar para que todos os
alunos se encaixem em um determinado padrão que, convenhamos, é desnecessário.
Mas
as propostas de pesquisa têm muito que ver com o tipo de professor que está
propondo. Se for um professor possuidor do saber, a pesquisa que este propor
terá um objetivo claro que é o de que o aluno obtenha mais conhecimento,
conhecimento este que, muitas vezes, de nada servirá em sua vida, uma vez que
praticamente, só será utilizado na teoria. Isso é um paradoxo, mas em
contraste, temos o professor que está preocupado de fato no crescimento do
aluno, não apenas em termos acadêmicos, mas em termos de vida em geral, este é
o professor construtor do saber, junto com o aluno, seu objetivo é proporcionar
ao aluno, o máximo de experiências possíveis para que uma vez tidas como parte
de suas vidas, os alunos jamais se esqueçam deste aprendizado, e assim, sejam
capazes de aplicar o conhecimento obtido em outras situações que exijam este
tipo de conhecimento.
Uma
das exigências para o próprio professor, é de que ela não indique o caminho no
qual o aluno deverá se aventurar, mas que o professor acompanhe o aluno em suas
descobertas e sua presença e participação será de grande valia para que o aluno
não se perca no processo de construção do conhecimento, deixando, por exemplo,
de observar pontos importantes ou perdendo tempo com coisas triviais.
Atualmente
as pesquisas nas escolas tem tido seu real propósito adulterado por um
pensamento que se disseminou de que pesquisar é buscar definições já prontas e
apresenta-las ao professor. Uma “pesquisa” desta forma não ajudará muito o
aluno a desenvolver seu pensamento crítico, especialmente quando o aluno pesquisa
teoria sem a ajuda do professor. Talvez muitos professores que propõem
atividades desta forma, pensem que já que sua explicação não foi suficiente, o
aluno deverá descobrir por outros modos uma explicação melhor, ignorando o fato
de este precisar entender o conceito, quem sabe, no caso, de forma mais
tridimensional.
Usando
este exemplo do tridimensional podemos compreender que é muito mais fácil obter
informações ou copiar algo bidimensional, mas para se entender o
tridimensional, é necessário uma experiência que só quem vivenciá-la poderá
compreender. Já que estamos falando de arte-educação, falemos de modo mais
artístico; é mais fácil olhar algo bidimensional e desenhar que algo
tridimensional. Para compreender o tridimensional, é necessário que a experiência
com o espaço e com o objeto seja mais íntima. Assim, a pesquisa deve ser como
obter informações de um objeto tridimensional de forma tridimensional.
A
partir da observação, da experiência com o tema, é necessário se trabalhar o
aspecto crítico dos alunos e também incentivá-los a criar, a partir do que foi
pesquisado, transformando a pesquisa em um meio, ao invés de um fim em si
mesma. O professor precisa propor temas instigantes, que façam o aluno refletir
e buscar soluções para problemas práticos, do seu dia a dia.
Já
que a pesquisa não pode ser um fim, mas um meio, é interessante, portanto, a
participação do professor no processo da pesquisa. O professor deve acompanhar
os alunos a fim de auxiliá-los, por
exemplo, nas fontes a serem pesquisadas, nas fontes que estão sendo
pesquisadas... Tudo isso ajudará o professor a fazer uma avaliação do processo
de aprendizagem do aluno, pois, à medida que este explana seus resultados, o
professor tem a capacidade de identificar o grau de amadurecimento do aluno em
relação ao tema pesquisado.
Para
um melhor desenvolvimento da pesquisa, é também necessário que o professor
tenha a sensibilidade de perceber quais serão as melhores estratégias para se
ter uma boa pesquisa. Lembrando que esta não é um fim, como um meio, todas as
condições favoráveis possíveis devem ser levadas em conta. Algumas pesquisas
exigirão dos alunos disponibilidade do mesmo horário, outras de diversidade de
conhecimentos, outra de talvez de afinidade e assim por diante. O professor
precisa pensar quais serão as melhores condições para se ter uma boa pesquisa,
visto que de certa forma, ele irá pesquisar junto com seus alunos, muito embora
tenha outros objetivos ali.
Pesquisas
não podem ser o objetivo do professor em ter a prova de que o aluno teve
contato com o tema fora da sala de aula simplesmente. Embora ela seja utilizada
desta forma, ela é uma ferramenta importantíssima e muito interessante para se
trabalhar o conhecimento de mundo dos alunos, visto que estes não conhecem o
mundo de forma bidimensional, mas estão o tempo todo aprendendo ao se
deslocarem de suas casas para a escola e vice-versa, ao se sentarem frente à um
computador ou televisão, ao escutarem música, ao lerem, enfim, ao usar seus
cinco sentidos, tudo o que é experimentado por estes passa a ser uma
experiência que mesmo se for esquecida, continuará a exercer influências na
vida dos alunos ao tomarem decisões no futuro, ainda que estas sejam
consideradas sem muita importância ou irrelevantes. O mundo é um gigantesco
tema de pesquisa, estamos inseridos nele, mas podemos perder muitas
experiências agradáveis e construtivas se não o explorarmos. O pesquisador é um
explorador, não um narrador de histórias vividas por outros. O professor tem
portanto, o papel fundamental de ajudar seus alunos a serem pesquisadores, não
monges copistas.
Baseado no texto:
PESQUISA NA ESCOLA: QUE ESPAÇO É ESSE? O DO CONTEÚDO OU O DO PENSAMENTO CRÍTICO?
REFERÊNCIAS
Maria Otilia Guimarães Ninin, PESQUISA
NA ESCOLA: QUE ESPAÇO É ESSE? O DO CONTEÚDO OU O DO PENSAMENTO CRÍTICO? São
Paulo.
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