Brasília é famosa pelo verde que tem, foi uma cidade planejada e pensada para preservar a vida. Infelizmente, hoje vemos cada vez mais prédios totalmente envidraçados nela e apesar de uma imagem futurista, esse tipo de arquitetura traz sérias consequências para o meio ambiente e vamos entender um pouco melhor aqui. Brasília recebe chuva geralmente nos meses que tem a letra "r", portanto, se você pretende visitar Brasília, o ideal, para não sofrer tanto com a seca, é visitar a cidade entre outubro e maio, que é o melhor período de umidade relativa do ar. Quem é de Brasília, entre novembro e janeiro, sempre anda com um guarda-chuva, por mais que o sol pareça garantir que não haverá chuva, ela chega de repente. A umidade relativa do ar em Brasília pode variar entre 70% (no verão) e 15% (no inverno, e ainda pode ser mais seco que isso!).
Agora, num clima seco será que o ar condicionado é a melhor opção para se refrescar? Deve-se ter o cuidado com uso do ar condicionado por duas coisas: primeiro porque para resfriar um lugar, ele resseca o ambiente, ou seja, se você já está em um clima seco, você vai ficar em um ambiente mais seco ainda? Segundo: com quantos graus você sente confortável quando o ar condicionado está ligado? Quantos graus você acha que é o certo? Na verdade, essas perguntas são uma pegadinha, porque cada pessoa tem uma resposta diferente, porque conforto térmico ambiental é uma questão pessoal. 22º C para um piauiense, não causa o mesmo conforto que para um gaúcho. Na verdade, em cada lugar do mundo, há um clima específico e ao invés de querermos mudar o clima natural, precisamos apender a nos adaptar ao clima, para obter o melhor conforto sem agredir o meio ambiente, se é que você pretende ter consciência.
Roupas adequadas, arquitetura adequada, tudo isso pode ajudar nesta empreitada. Imagine um calor forte e uma pessoa de casaco! É incoerente. Em tempos mais quentes, precisamos de roupas mais leves, com inclusive, cores mais leves... E o que falar da arquitetura? É a mesma coisa! Cada casa, cada prédio deve ser diferente do outro, porque cada lugar e cada tipo de usuário requer uma dinâmica diferente de uma construção. Por exemplo, imagine um prédio todo envidraçado em uma cidade onde o sol é forte, como Teresina - PI, Palmas - TO... Os fabricantes e vendedores podem dizer o que quiserem que o vidro filtra os raios x, y e z evitando que o prédio vire uma estufa do lado de dentro... ok, pode ser verdade e existe tecnologia pra isso, mas ainda não conheci tecnologia que não reflita os raios do sol em um vidro e por mais gostoso que seja o clima dentro do prédio, do lado de fora, a cidade vira uma estufa.
E o quais são as consequências desses vidros e ar condicionados? Na questão do ar condicionado, o problema de tentarmos viver em um clima que não condiz com o clima natural é que nosso corpo vai acostumando, e nossos filhos e filhas vão se acostumando também, e cada geração que vem quer usar mais e mais ar condicionado, o que era antes usado em ambientes corporativos agora está no quarto, na sala de casa... além dos riscos à saúde, quanto mais ar condicionado usamos, mais energia é consumida, e apesar da riqueza de energias renováveis existentes no Brasil, o Brasil insiste em gerar energia com hidrelétricas, quanto mais demanda por energia, mais hidrelétricas precisaremos fazer, e com elas, os danos ambientais vem junto. Sobre a arquitetura do vidro, quanto mais quente a cidade fica, mais as pessoas irão querer ar condicionado, mais água será gasta para irrigação de plantas, por exemplo... e soluções simples em arquitetura podem reduzir consideravelmente estes impactos. Não que não devamos usar vidro, nem ar condicionado, podemos, e até devemos usar, em certas circunstâncias, mas se usarmos com consciência, poderemos desfrutar ainda melhor do meio ambiente!
Para conhecer mais sobre o meu trabalho, acesse www.rodrik.esy.es
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