segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

PENSANDO BEM...

"Como o homem pensa, assim ele é. Nosso aperfeiçoamento na pureza moral depende do reto pensar e reto agir. ... Os pensamentos maus destroem a mente...  Precisamos de uma constante intuição do enobrecedor poder dos pensamentos puros, e da influência daninha dos pensamentos maus." Mente, Cárater e Personalidade, V. 1. Pág. 235 e 236.

            Se há uma habilidade característica essencial para os seres humanos, esta é a habilidade de pensar, não sei como andam os estudos nessas áreas, mas até hoje, nunca soube de algum ser humano que não pense, a não ser é claro, segundo a teoria da evolução das espécies que prega que o ser humano é um produto de um processo evolutivo que o trouxe onde está, se levarmos em consideração esta teoria, teremos então, em algum momento muito distante seres humanos (se assim o podemos chamar) que não pensavam e a evolução deu-lhes em algum momento a habilidade de pensar enquanto os outros animais vivem por meio de seus extintos.
            Até onde sei, todo ser humano pensa. Consideramos que alguns pensam mais que os outros e muitas vezes, quando pretendemos ofender alguém, lhe chamamos de burro, idiota, besta, etc... são termos que utilizamos para dizer que a pessoa não tem a capacidade que temos de pensar e avaliar as circunstâncias. Às vezes vamos mais longe na ofensa pretendendo afirmar que a pessoa não chega nem a ter esta habilidade, igualando-a à animais irracionais, pela evolução, dizemos que esta pessoa portanto, não é evoluída e pela teoria do criacionismo, esta pessoa não é a imagem de Deus, portanto, ela é do mal... Seja qual for a intenção e por qualquer meio, dizer que uma pessoa não pensa é considera-la inferior às demais pessoas.
            A verdade é que ao menos, todas as pessoas que vão à escola, pensam. Agora, uma das grandes preocupações que o educador deve ter é com relação aos pensamentos que seus alunos têm.
            Os pensamentos devem ser algo de extrema consideração, afinal, como educadores, pretendemos educar as crianças e jovens para uma vida sadia, produtiva e no mínimo equilibrada.
            Existe um ditado que diz: “você é o que você come”, eu diria que nós somos o que pensamos, mas este insight não é uma criação minha, é apenas uma ideia baseada na compreensão que outros já tiveram antes de mim. Nós somos produtos do que pensamos e por isso, se pretendemos formar pessoas capacitadas para fazerem (boas) escolhas, pessoas criativas e também produtivas, precisamos estimular as crianças e jovens a terem tais pensamentos.
            É triste ver o tipo de pensamentos que os jovens de hoje têm tido, e nas pessoas que têm se tornado. Recentemente, estive com uma turma de ensino médio e ouvi algumas coisas sobre os tipos de conversas e comportamento que aqueles jovens tinham. Os pensamentos que são normalmente cultivados nos jovens de hoje são pensamentos de consumismo, egoísmo, conformismo ou indiferença com o que está fora de sua zona de conforto. Como isso pode ser trabalhado para que seja mudado?
            Uma coisa é certa, o educador que queira ajudar seus alunos a terem bons pensamentos, precisa, primeiramente, ter bons pensamentos. Um educador que pretende educar pessoas para uma vida produtiva, sadia e equilibrada, deve este, ser primeiramente. O professor é constantemente apreciado por seus alunos, a fim de ser tomado como bom ou mau exemplo. Tive professores e professoras que até hoje ou os exalto ou os uso como exemplos de fracasso. Eu quero poder ser uma boa influência para os alunos que eu puder ter, e você?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

DEZ PARA A CONFIANÇA OU DESCONFIANÇA?


“O educador prudente... procurará promover a confiança e fortalecer o sentimento de honra. As crianças e jovens são beneficiadas quando se deposita neles confiança. Muitos, mesmo dentre os pequeninos, têm um elevado senso de honra, todos desejam ser tratados com confiança e respeito, e têm direito a isso. Deve-se ter cuidado de eles não pressintam não poderem sair ou entrar sem ser vigiados. A suspeita desmoraliza, produzindo os mesmos males que procura evitar... Levemos os jovens a sentir que merecem confiança, e poucos haverá que não procurarão mostrar-se dignos dessa confiança.” – Educação, pág. 289, 290 (1903).

Certo dia, assisti uma matéria de um programa televisivo. O repórter perguntava para alguns brasileiros se eles achavam que no Brasil (especialmente em Brasília) havia muita desonestidade. Sim, eram as respostas. Em seguida ele perguntava se estas pessoas se consideravam honestas. A reação de surpresa era instantânea: uma rápida reflexão e as respostas variavam entre sim e não. Muitas pessoas fora do Brasil considera o brasileiro uma pessoa não muito digna de confiança, de onde nasceu este preconceito e quem é o povo considerado de melhor confiança? Mas no Brasil, o pensamento é o mesmo?
Imagine uma sala de aula em um momento de prova. A você que imagina o professor atento à menor suspeita de cola, deve ser feita a seguinte pergunta: o que aquele professor está fazendo ali? Sim, esta pergunta deve ser feita, uma vez que ao professor estar atento à má fé dos alunos, ele próprio está dizendo aos alunos que não confia neles. Um ato desse, soaria ofensivo à muitos de nós, caso compreendêssemos a profundidade de algo assim. Ninguém se sentiria bem em um lugar em que seu caráter é questionado.
Eu não concordo que o professor vigie seus alunos enquanto realizam uma prova. Mas é claro que se a partir de amanhã muitos ou todos os professores adotarem esta posição (em sala de aula), muitas coisas podem acontecer: Alguns alunos ao entenderem que o professor não desconfia de seu caráter, se sentirão mais livres e usarão esta liberdade para exercerem dignamente a sua honestidade enquanto outros irão aproveitar esta atitude do professor para usarem sua liberdade para seus intuitos egoístas agindo desonestamente.
Algo assim, é uma questão de tempo. Até que a educação brasileira esteja plenamente apta para que nenhuma escola precise adotar este método de vigiar os alunos, muitos anos serão percorridos. Penso que podemos começar no primeiro ano tirando este hábito da primeira série, no segundo ano da segunda série, terceiro ano terceira série e assim por diante, seriam no mínimo onze ou doze anos. Mas com certeza, esse tipo de método seria muito mais eficaz se as famílias estivessem estimulando paralelamente estas crianças e adolescentes a exercerem de modo positivo sua liberdade, em seus lares.
Nós estamos muitas vezes tão possuídos pela desconfiança nos outros que aprendemos na escola, que pensar em uma educação assim parece inviável: e os alunos desonestos? Em minha opinião (que é a mesma da autora da citação acima) os desonestos seriam minoria, gente que não sabe exercer bem sua liberdade, mas estes seriam prontamente assistenciados pelos seus colegas honestos. Crianças estimuladas a serem honestas não irão colar, dar cola ou apoiar quem cola. A criança desonesta seria denunciada pelos seus colegas ou se constrangeria por sua atitude em meio aos demais.
Certo dia, em uma reunião, alguém comentou:
- Hoje nós nem temos muito a noção do que é honra...
- ...só os japoneses... – Brinquei.
Eu vejo crianças como meu irmão, recém-ingressas no sistema educacional e fico admirado com tamanho orgulho de si ao tirarem boas notas e desapontados ao tirarem más notas. Mas devem ser raros os casos de crianças nestas séries iniciais que se orgulham de terem tirado uma boa nota decorrente de um ato desonesto.
Me lembro que quando estava na segunda série, a minha turma começou a aprender tabuada. A avaliação da professora era colocar três alunos virados para o quadro e responder o que ela perguntasse. Uma menina (repetente, portanto, mais velha que os demais) respondia as perguntas com a cabeça encostada no quadro, demorava mas acertava. Para a surpresa de todos, a professora descobriu que a menina estava com a tabuada na sua frente, presa com sua testa no quadro e bem diante de seus olhos. Nós, mais novos, ficamos escandalizados, rimos dela, achando que aquilo era uma verdadeira tolice. Ao ficarmos mais velhos, cada um foi desenvolvendo sua estratégia de tirar vantagem em cima da desatenção do professor.
Eu tenho meu orgulho de dizer que nunca colei, não que eu nunca tenha pensado em fazer isso, mas acho que nunca tive coragem mesmo, prefiro tirar uma nota baixa a correr o risco de ser conhecido como desonesto. Mas certa vez eu posso dizer que colei, embora não diga. Era uma prova de ciências, na sexta série. Eu estava por dentro da matéria e diante da prova me deparei com uma pergunta que eu sabia a resposta mas não conseguia me lembrar, então perguntei ao meu melhor amigo que estava na cadeira ao lado. Foi muito engraçado e constrangedor, porque ele pensou que eu estava querendo cola, mas na verdade eu simplesmente esqueci que estávamos em momento de prova, tanto é que perguntei em alto e bom som. Ele ficou com medo, e antes de me dar a resposta cochichou para que eu falasse baixo. Eu então me toquei, fiquei com tanto medo que não tive coragem nem de dizer para ele não me falar a resposta mais. Mas sabe aquelas horas que você pensa em tudo em milésimos de segundo? No intervalo em que ele me pediu para falar baixo e me dar a resposta eu raciocinei que fora sorte eu ter falado alto e a professora não ter escutado então, era melhor não falar mais nada para não correr o risco dela ver, prejudicando assim ao meu amigo e eu. Acho que isso pode ter sido considerado cola uma vez que me utilizei da resposta do meu amigo para ganhar o pontinho daquela questão, mas por outro lado não acho que possa ter sido considerado uma vez que eu sabia a resposta embora não me lembrasse a palavra e que no fundo, eu não tinha a mínima intenção de colar. Julgue você o que achar correto.
Precisamos como educadores, resgatar o senso de honra nos estudantes, para que sejam cidadãos mais ativos na sociedade, incomodados com as injustiças, desigualdades, omissões... que se inquietem e saibam tomar uma posição firme diante do que vivenciarem, para o bem e contra o mal, pois há dentro de cada um uma inquietação, mas se esta não é trabalhada, acabamos repetindo o que a maioria das pessoas fazem: ficam omissas. Há ainda diversos outros costumes existentes na educação brasileira que induzem os alunos a se tornarem desconfiados, perderem o senso de honra e honestidade e respeitarem a si mesmos e aos outros, mas por hoje, paramos por aqui, no texto.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

TRAMPOLIM INTERDITADO


 “Se toda a atenção e força forem dadas a uma só, enquanto as outras permanecem inativas, essa terá um grande desenvolvimento, que a levará a extremos, porque não cultivou, todas as faculdades. Algumas mentes ficam anãs, sem o devido equilíbrio. Nem todas as mentes são iguais por natureza. Temos mentalidades várias; alguns são fortes em determinados pontos, e muitos fracos em outros.” – Mente, Caráter e Personalidade. Vol. 1. Pág. 50.

Os estudantes que querem andar a passos largos em Brasília terão que achar outra forma para fazê-lo porque não podem mais pular. Não é mais permitido pular os alunos não concluintes do último ano do ensino médio para a Universidade de Brasília.
“A Promotoria de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) se posicionou favorável à nova norma do Conselho de Educação do DF (CEDF) que veta a conclusão antecipada do 3º ano do ensino médio. Os promotores defendem que a resolução não é inconstitucional, principal argumento usado pelas entidades representativas de pais e estudantes na tentativa de derrubar judicialmente a determinação distrital. Segundo a promotora Tânia Regina Fernandes, a orientação do CEDF às escolas é baseada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). ‘A norma não tem nada de inconstitucional. É uma orientação que deixa claro o que é previsto em uma lei ordinária nacional’, explicou a representante do MPDFT. Segundo ela, a LDB prevê que o ensino médio tenha, no mínimo, três anos. ‘A exceção é aplicada somente para os estudantes com altas habilidades comprovadas. Fora esses casos, não há uma lei que permita o término da última etapa da educação básica antes desse período’, completou Tânia.” - http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_ensinosuperior/2013/01/10/ensino_ensinosuperior_interna,343214/mp-e-contra-o-fim-prematuro-do-3-ano.shtml.
“Esta norma do Conselho de Educação do DF vai de encontro com o que a gente vivencia no ambiente universitário. O aluno do ensino superior ainda entra muito imaturo. É preciso dar um espaço de amadurecimento para essas pessoas. Na verdade, essa norma abre uma discussão maior. Para receber os alunos precoces, seria necessário mudar o estilo da universidade e o modelo pedagógico do ensino médio. Algumas instituições internacionais conseguem adiar a escolha dos egressos ao fazer a seleção por área e não por curso específico. O ensino médio também deveria trabalhar essa transição, está tudo associado. O aluno nas últimas três séries acaba tendo os estudos muito voltados para o vestibular. Uma boa mudança seria inserir no currículo algumas reflexões em relação ao mundo do trabalho, no qual ele vai ser inserido depois. É claro que estamos falando da formação da pessoa como cidadão, ser humano, mas ele vai ser encaminhado para a formação profissional e isso começa no ensino médio. A decisão do conselho é pontual, mas é um ponto positivo para refletir os modelos." Bernardo Kipnis (Professor da Faculdade de Educação da UnB e doutor em educação pela Universidade de Londres) - http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=93411.
Este é um assunto muito delicado e concordo plenamente com o comentário do Professor Kipnis. Se for feito uma comparação entre os estudantes das universidades brasileira no decorrer da história, pode-se notar que os jovens estão ingressando cada vez mais cedo no ensino superior, me pergunto por quê e para quê?
Ao conversar com pessoas que se formaram na UnB, por exemplo, nas décadas de 60 à 80, por aí, é muito comum ouvir o comentário de que naquela época, as pessoas entravam bem mais tarde na Universidade. Ao terminar seus estudos, antes de ingressarem na universidade, as pessoas procuravam explorar um pouco o mundo, na medida do possível. Depois, ao terem então uma certa experiência de vida, iam adentrar em uma universidade.
Ao ouvir estes relatos, fico então me imaginando nesta época, com a idade que tenho hoje, viajando por aí e conhecendo coisas novas, conhecendo outros países, outras culturas... na verdade hoje é diferente. Os jovens querem primeiro ter um diploma de nível superior e um emprego o mais estável possível para então começarem a explorar o mundo. Quanto ao termo “explorar”, acho que é pano para outra manga.
Impedir que os alunos do último ano do ensino médio ingressem na universidade pode ser muito bom para algumas pessoas e muito ruim para outras, mas a verdade é que esta decisão não é uma afirmação de que o aluno não tenha capacidade intelectual para ingressar na universidade. Quanto à sua capacidade emocional, esta sim precisa ser verificada.
Eu concluí o ensino médio em 2008, já sabia o que queria: estudar artes plásticas e arquitetura. Já havia planejado como fazer: primeiro artes, depois arquitetura. Em meus sonhos, no ano seguinte ingressaria no ensino superior, mas não foi bem isso que aconteceu, não passei no vestibular que fiz para o segundo semestre de  2009 e só passei no primeiro de 2010. Para mim, aquilo era um grande atraso de vida e por não ter mais ânimo para estudar, cada vestibular que passava, minha chance eram menores de ser aprovado. Mas o que ocorreu foi que exatamente no final daquele ano me envolvi em um projeto no Tocantins, onde pela primeira vez fiquei longe de minha família, num lugar desconhecido até então e com pessoas também desconhecidas. Aquela foi a minha grande oportunidade de aprender a lidar com pessoas diferentes em situações também muito diferentes da minha realidade até então.
Hoje, conto para todos que eu não estaria tão preparado psicologicamente para entrar na universidade em 2009 como estava em 2010. O aprendizado tão marcante que costumo dizer que 50% de tudo que sei hoje, aprendi em dois meses no Tocantins.
É muito comum se encontrar estudantes na UnB que ingressaram na metade do 3º ano do ensino médio, difícil é encontrar alunos formados e sem problemas em seu curso nesta mesma situação. Boa parte dos alunos que ingressam na universidade vindo sem o ensino médio completo, passaram em cursos que não são bem o que queriam, porque geralmente querem cursos com uma alta nota de corte e para terem mais chance de ingressar, entram em cursos com uma nota de corte inferior ao que realmente queriam. Mais frustrados ficam quando percebem que com a nota que entraram, poderiam ter entrado no curso que queriam, como em alguns casos que conheço.
Aí estes alunos começam a tentar mudar de curso, vão fazendo vestibular, tentando transferência interna, seja o que for. Isso não é ruim para o aluno, correr atrás de seus ideais, é louvável. Mas ao deixar sua vaga ao mudar de curso, implica deixar uma pessoa que queria estar em seu lugar, mas ele tomou sua vaga. Prejuízo para o aluno que não passou, para os cofres públicos, para os professores que lhe deram aula... em maior ou menor escala, prejuízo.
Fora que ao entrar na universidade, seja no curso dos seus sonhos, seja no curso de seus pesadelos, tudo é muito legal. Fascinante. A vontade é experimentar tudo o que puder ser experimentado lá. E é aqui onde a maturidade novamente tem voz. Quando digo que não estaria tão preparado em 2009 quanto em 2010, quero dizer que meus princípios estavam muito mais vulneráveis em 2009 que em 2010. É daí onde surge (e com razão) a preocupação de muitos mais velhos com relação à um calouro na universidade. O ser humano, tem por natureza, a tendência de caminhar para o exagero. E ao ingressar na universidade, com certeza, o aluno precisa ter uma estrutura psicológica equilibrada para ser capaz de tomar boas decisões diante das situações em que se deparar.
Novamente concordando com o professor Kipnis, o ensino médio deve ter sim esta responsabilidade de procurar ajudar seus alunos a serem pessoas equilibradas, mas vou um pouco mais longe, o ensino completo: maternal, infantil, fundamental, médio e a família que, ao meu ver é a mais responsável por isso. Sei que o professor Kipinis, não se referiu apenas ao ensino médio como o único responsável, mas como ele disse, isso é uma abertura (bem abrangente para uma discursão).

BRASILEIROS BURROS?

O Brasil é um país em desenvolvimento. Não é difícil notar o grande salto que deu no decorrer dos últimos anos em diversas áreas, ainda assim, todos nós estamos cientes de seus problemas. É interessante que praticamente todos os brasileiros sabem os avanços e os atrasos do Brasil, por isso não é novidade falar sobre um dos maiores problemas do Brasil: a educação. Ouço muito falar que o brasileiro é muito burro, por diversas razões, dentre elas a de não saber reclamar seus direitos ou escolher um representante político, mas será que há mesmo, tantas pessoas burras no quinto maior país do mundo?
Antes de ingressar na universidade, eu já tinha diversos projetos educacionais em construção na mente. Me interesso especialmente pela educação que vou chamar aqui de não tradicional. Esse tipo de educação como o EJA, altas habilidades e educação com necessidades especiais
Acho que este interesse surgiu em especial quanto eu estava no terceiro ano do ensino médio, duas coisas em especial me fizeram ver as coisas por outro ângulo: ingressar no Programa de Altas Habilidades em artes e tirar notas baixas em matemática. Para mim, dois grandes contrastes.
Sempre me destaquei nas matérias de artes por estar sempre à frente dos meus colegas em desenho, por conta disso, sempre fui muito bem tratado pelas professoras (não cheguei a ter professor) desta matéria.
Já em matemática, fui até bem até a quarta série, época em que minha mãe trabalhava muito e eu ficava só com minha irmã, acabei sendo influenciado a me aventurar pelo mundo (meu mundo era o meu bairro e depois bairros vizinhos) com certos amigos e meu rendimento escolar começou a cair. A partir da quinta série minha história mudou drasticamente.
         Vou fazer o relato apenas voltado para matemática. No fim da quarta série, minha mãe resolveu transferir minha irmã e eu para escolas próximas do trabalho dela, onde ela pudesse nos acompanhar mais de perto, rapidamente minhas notas subiram. Mas ao passar para a quinta série, a mudança de cara era que tinha um professor(a) para cada matéria. Minha professora de matemática logo me deu um gelo dizendo não ser irmã da minha mãe para  que eu a chamasse de tia. Eu havia aprendido com minha mãe que chamar os mais velhos de tio ou tia era uma questão de respeito, ali houve o primeiro confronto, ela estava rebaixando na minha frente, a educação da minha mãe. Eu embora não gostasse muito do jeito daquela professora (um jeito muito grosseiro em minha opinião) tinha uma profunda vontade de lhe agradar, eu a achava bonita e inteligente, mas meus esforços pareciam fracassar vez após vez. Havia um colega de classe que era todo bonitinho, inteligente, simpático, este se destacava nas aulas dela, de modo que apenas ele podia dar uma resposta sem precisar explicar como havia chegado a tal conclusão, bastava dizer: “tá na cara”, ela sorria e confirmava: “realmente, está na cara”. Mais ninguém ousasse usar a explicação deste menino, ela fachava a cara e pedia uma explicação clara, ainda que a resposta estivesse na cara, isso me chateava.  Mas uma coisa que me feriu de verdade foi quando ela passou uma tarefa para fazer em casa: desenhar a planta da sua casa utilizando uma escala (acho que era 1:100 ou 1:200) e colocar as medidas. Eu vi ali uma ótima oportunidade de agradá-la, era um desenho, acho que fiquei tão feliz que não entendi a parte de colocar as medidas. Cheguei em casa e fiz o exercício com minha mãe, me lembro bem da gente medindo as paredes com a fita métrica que ela até hoje tem. Na aula seguinte, lá estava eu, todo orgulhoso com o meu caderno de desenho em mãos e minha primeira planta.
- Onde estão as medidas? – Pergunta a professora.
- Que medidas? – Pergunto.
- As medidas da casa que eu pedi.
Fiquei sem chão e tentei explicar que embora eu não soubesse que era para por as medidas, como a planta estava na escala, não seria difícil descobrí-las. Ela não quis saber de explicações, me mandou levantar e sair de sala, eu não iria assistir aquela aula. Saí e chorei. Fui consolado pela porteira e por um aluno de uma turma de aceleração, que me fez sorrir e ajudar a ter uma raiva profunda daquela professora. Decidi que não iria mais tentar agradá-la de forma nenhuma, dalí em diante também não me interessei em mais nada que ela dissesse ou fizesse, consequentemente, passei a odiar matemática também até que cheguei à sexta série. O professor era fantástico (fantárdico, como diria o Tiririca), ele fazia aquele monte de números fazer sentido em minha cabeça, tanto que em sua primeira prova (sobre números positivos e negativos) eu vi uma questão que a achei tão óbvia que marquei a resposta errada por achar que aquilo não pudesse ser tão fácil, quando ele foi explicar as respostas das provas e vi que havia acertado a questão (só errei ao marcar, porque marquei 7 em lugar de -7), fiquei radiante de felicidade ao descobrir que eu não era tão burro quanto a antiga professora me fezera pensar que fosse. Mas o pior aconteceu: logo aquele professor foi transferido e as professoras que o substituíram não eram tão claras como ele para mim criando-se então, uma barreira entre mim e esta ciência.
Só na sétima série é que consegui ter um professor que me fizesse entender esta disciplina. Mas o pior aconteceu: logo aquele professor foi transferido e a professora que o substituiu não era tão clara como ele para mim, retornando a construção da barreira entre mim e a matemática. A cena continuou até o terceiro ano do ensino médio, quando em meu boletim apareceu mais uma nota baixa em matemática, eu corria o risco de ser reprovado, o que não seria nada bom naquela altura do campeonato... fiquei revoltado, pensei em desistir de tudo aquilo, mas ao conversar com os coordenadores, eles me indicaram o Professor Mauro.
Minha nota não deveria ter sido baixa se eu tivesse feito o teste valendo ponto. Eu havia estudado como nunca para ele (e aprendido como nunca também), mas no dia do teste, algo conspirou para que eu chegasse atrasado e o professor não me desse outra oportunidade. Ao estudar com o professor Mauro, comecei a descobrir o potencial que havia dentro de mim, porque ele começou a identificar as falhas que haviam em mim que me faziam muitas vezes não entender nada da matéria. O problema não era minha burrice, era apenas uma falha que ocorreu no meu processo de formação e ninguém identificou, só foram me jogando para frente. Com o professor Mauro, aprendi a estudar matemática sozinho e descobrir que eu era capaz de aprender só! Foi um momento mágico, ao passo que comecei a refletir em quantos alunos estão espalhados por este país na mesma situação em que eu me encontrava.
Descobri ali que não há gente burra, existem pessoas com falhas no processo de formação. Quem não consegue identificar isso nas outras pessoas tende a considerá-las burras. Ao olhar daqui, acho que os valores é que estão invertidos. Um professor consegue identificar trinta alunos problema em uma turma de quarenta. São alunos que não conseguem se concentrar na aula, são agitados ou muito parados, será que estamos diante de um monte de alunos problema e um professor muito sabido, ou um professor problema com alunos que não conseguem ser atraídos por sua didática?

Agradecimentos:
Professoras de arte que tive: Liliane(5ª e 6ª), Adriana ( final da 6ª), até o ensino médio eu não me lembro bem quem foram as outras, porque eram cinco professoras para todas as matérias, então cada uma ficava responsável por umas três matérias, eram Kelly, Charlene, Isaura, Liliane e se você esteve nesta fase e seu nome não está aqui, pode reividicá-lo. Matemática: infelizmente não me lembro o nome dos meus melhores professores que comentei, quanto a da quinta e o do terceiro ano, não lhes citarei por não achar conveniente, interessante e ético, já que falei de seus maus feitos e com certeza muitas pessoas foram (bem) influenciadas por essas duas pessoas. E quantos aos outros professores e professoras de matemática, me lembro dos seguintes: Iolanda, Isaura e Marciliano.
Não vou deixar de expressar minha gratidão também às professoras de 1ª à 4ª: Zulma, Diana, Francisca, Isaura. E peço perdão à duas que gosto muito mas que me deu um branco de seus nomes, a do final da minha quarta série e a do primeiro ano do ensino médio.