“Se toda a atenção e força
forem dadas a uma só, enquanto as outras permanecem inativas, essa terá um
grande desenvolvimento, que a levará a extremos, porque não cultivou, todas as
faculdades. Algumas mentes ficam anãs, sem o devido equilíbrio. Nem todas as
mentes são iguais por natureza. Temos mentalidades várias; alguns são fortes em
determinados pontos, e muitos fracos em outros.” – Mente, Caráter e
Personalidade. Vol. 1. Pág. 50.
Os estudantes que
querem andar a passos largos em Brasília terão que achar outra forma para
fazê-lo porque não podem mais pular. Não é mais permitido pular os alunos não
concluintes do último ano do ensino médio para a Universidade de Brasília.
“A Promotoria de
Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público do Distrito Federal e
Territórios (MPDFT) se posicionou favorável à nova norma do Conselho de
Educação do DF (CEDF) que veta a conclusão antecipada do 3º ano do ensino
médio. Os promotores defendem que a resolução não é inconstitucional, principal
argumento usado pelas entidades representativas de pais e estudantes na
tentativa de derrubar judicialmente a determinação distrital. Segundo a
promotora Tânia Regina Fernandes, a orientação do CEDF às escolas é baseada na
Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). ‘A norma não tem nada de
inconstitucional. É uma orientação que deixa claro o que é previsto em uma lei
ordinária nacional’, explicou a representante do MPDFT. Segundo ela, a LDB
prevê que o ensino médio tenha, no mínimo, três anos. ‘A exceção é aplicada
somente para os estudantes com altas habilidades comprovadas. Fora esses casos,
não há uma lei que permita o término da última etapa da educação básica antes
desse período’, completou Tânia.” - http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_ensinosuperior/2013/01/10/ensino_ensinosuperior_interna,343214/mp-e-contra-o-fim-prematuro-do-3-ano.shtml.
“Esta norma do Conselho
de Educação do DF vai de encontro com o que a gente vivencia no ambiente
universitário. O aluno do ensino superior ainda entra muito imaturo. É preciso
dar um espaço de amadurecimento para essas pessoas. Na verdade, essa norma abre
uma discussão maior. Para receber os alunos precoces, seria necessário mudar o
estilo da universidade e o modelo pedagógico do ensino médio. Algumas instituições
internacionais conseguem adiar a escolha dos egressos ao fazer a seleção por
área e não por curso específico. O ensino médio também deveria trabalhar essa
transição, está tudo associado. O aluno nas últimas três séries acaba tendo os
estudos muito voltados para o vestibular. Uma boa mudança seria inserir no
currículo algumas reflexões em relação ao mundo do trabalho, no qual ele vai
ser inserido depois. É claro que estamos falando da formação da pessoa como
cidadão, ser humano, mas ele vai ser encaminhado para a formação profissional e
isso começa no ensino médio. A decisão do conselho é pontual, mas é um ponto
positivo para refletir os modelos." Bernardo Kipnis (Professor da
Faculdade de Educação da UnB e doutor em educação pela Universidade de Londres)
- http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=93411.
Este é um assunto muito
delicado e concordo plenamente com o comentário do Professor Kipnis. Se for
feito uma comparação entre os estudantes das universidades brasileira no decorrer
da história, pode-se notar que os jovens estão ingressando cada vez mais cedo
no ensino superior, me pergunto por quê e para quê?
Ao conversar com
pessoas que se formaram na UnB, por exemplo, nas décadas de 60 à 80, por aí, é
muito comum ouvir o comentário de que naquela época, as pessoas entravam bem
mais tarde na Universidade. Ao terminar seus estudos, antes de ingressarem na
universidade, as pessoas procuravam explorar um pouco o mundo, na medida do
possível. Depois, ao terem então uma certa experiência de vida, iam adentrar em
uma universidade.
Ao ouvir estes relatos,
fico então me imaginando nesta época, com a idade que tenho hoje, viajando por aí
e conhecendo coisas novas, conhecendo outros países, outras culturas... na
verdade hoje é diferente. Os jovens querem primeiro ter um diploma de nível
superior e um emprego o mais estável possível para então começarem a explorar o
mundo. Quanto ao termo “explorar”, acho que é pano para outra manga.
Impedir que os alunos
do último ano do ensino médio ingressem na universidade pode ser muito bom para
algumas pessoas e muito ruim para outras, mas a verdade é que esta decisão não
é uma afirmação de que o aluno não tenha capacidade intelectual para ingressar
na universidade. Quanto à sua capacidade emocional, esta sim precisa ser
verificada.
Eu concluí o ensino
médio em 2008, já sabia o que queria: estudar artes plásticas e arquitetura. Já
havia planejado como fazer: primeiro artes, depois arquitetura. Em meus sonhos,
no ano seguinte ingressaria no ensino superior, mas não foi bem isso que
aconteceu, não passei no vestibular que fiz para o segundo semestre de 2009 e só passei no primeiro de 2010. Para mim,
aquilo era um grande atraso de vida e por não ter mais ânimo para estudar, cada
vestibular que passava, minha chance eram menores de ser aprovado. Mas o que
ocorreu foi que exatamente no final daquele ano me envolvi em um projeto no
Tocantins, onde pela primeira vez fiquei longe de minha família, num lugar
desconhecido até então e com pessoas também desconhecidas. Aquela foi a minha
grande oportunidade de aprender a lidar com pessoas diferentes em situações
também muito diferentes da minha realidade até então.
Hoje, conto para todos
que eu não estaria tão preparado psicologicamente para entrar na universidade
em 2009 como estava em 2010. O aprendizado tão marcante que costumo dizer que 50%
de tudo que sei hoje, aprendi em dois meses no Tocantins.
É muito comum se
encontrar estudantes na UnB que ingressaram na metade do 3º ano do ensino
médio, difícil é encontrar alunos formados e sem problemas em seu curso nesta
mesma situação. Boa parte dos alunos que ingressam na universidade vindo sem o
ensino médio completo, passaram em cursos que não são bem o que queriam, porque
geralmente querem cursos com uma alta nota de corte e para terem mais chance de
ingressar, entram em cursos com uma nota de corte inferior ao que realmente
queriam. Mais frustrados ficam quando percebem que com a nota que entraram,
poderiam ter entrado no curso que queriam, como em alguns casos que conheço.
Aí estes alunos começam
a tentar mudar de curso, vão fazendo vestibular, tentando transferência
interna, seja o que for. Isso não é ruim para o aluno, correr atrás de seus
ideais, é louvável. Mas ao deixar sua vaga ao mudar de curso, implica deixar
uma pessoa que queria estar em seu lugar, mas ele tomou sua vaga. Prejuízo para
o aluno que não passou, para os cofres públicos, para os professores que lhe
deram aula... em maior ou menor escala, prejuízo.
Fora que ao entrar na
universidade, seja no curso dos seus sonhos, seja no curso de seus pesadelos,
tudo é muito legal. Fascinante. A vontade é experimentar tudo o que puder ser
experimentado lá. E é aqui onde a maturidade novamente tem voz. Quando digo que
não estaria tão preparado em 2009 quanto em 2010, quero dizer que meus
princípios estavam muito mais vulneráveis em 2009 que em 2010. É daí onde surge
(e com razão) a preocupação de muitos mais velhos com relação à um calouro na
universidade. O ser humano, tem por natureza, a tendência de caminhar para o
exagero. E ao ingressar na universidade, com certeza, o aluno precisa ter uma
estrutura psicológica equilibrada para ser capaz de tomar boas decisões diante
das situações em que se deparar.
Novamente concordando
com o professor Kipnis, o ensino médio deve ter sim esta responsabilidade de procurar
ajudar seus alunos a serem pessoas equilibradas, mas vou um pouco mais longe, o
ensino completo: maternal, infantil, fundamental, médio e a família que, ao meu
ver é a mais responsável por isso. Sei que o professor Kipinis, não se referiu
apenas ao ensino médio como o único responsável, mas como ele disse, isso é uma
abertura (bem abrangente para uma discursão).
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