Ser
professor de arte hoje em dia não é tarefa fácil, visto que a linguagem visual
hoje é bem diferente da de poucos anos atrás. Cultura hoje em dia não está
ligada à pinturas, gravuras e até mesmo fotografia.
Com
a globalização, vivemos em um mundo em que as informações são muito rápidas, as
imagens precisam de movimento, as pessoas têm dificuldade em parar para
apreciar uma imagem, seja ela uma fotografia, hoje todo mundo registra tudo,
praticamente todos os celulares tem câmeras, têm-se uma infinidade de fotos
guardadas nas pastas do computador, mas ninguém mais fica olhando como com os
álbuns de família antigamente, a questão afora é pressa, agilidade, correria.
Como
se não bastasse apenas isso, todo esse bombardeio de informações vindos pelos
meios de comunicação em massa (maiores propagadores de imagens) causa uma série
de comportamentos ruins tanto para o indivíduo como para a sociedade em que
este se insere. Igreja, governo, sindicato, classe social e família são
praticamente irrelevantes ao ponto de vista de uma sociedade moldada pelo
consumismo e o hedonismo. As pessoas são individualistas, preocupadas apenas
com seus próprios interesses e não fazendo nada enquanto a maldade não lhe
atinge.
O
problema é que por trás deste monte de imagens apresentadas pelos meios de
comunicação em massa, há todo um jogo de interesses por trás de tudo isso. Há
instituições que por estes meios divulgam suas ideias e intenções, que estão
sendo compradas, ou, aceitas sem qualquer reflexão, e isso é extremamente
perigoso.
Diante
desta situação, cabe aos professores de arte, terem a sensibilidade de saber
abordar estes temas com os alunos. Por meio especialmente da pesquisa
individual e coletiva, é possível se conseguir boas observações daquilo que
para os alunos muitas vezes, passa despercebido. O currículo de arte tem se
prendido à algo muito distante da realidade dos alunos, pinturas, esculturas,
etc., já foram algum dia as imagens que influenciavam a cultura, hoje, as imagens
que influenciam são as de televisão e internet, por que não trabalhar com essas
imagens, partindo delas, é possível se abordar diversos temas, o que será menos
cansativo para os alunos e mais realizador ao professor.
Ainda
como estratégia de abordagem para este tipo de trabalho, é interessante que os
professores também aprendam algo com a mídia, esta sabe como alcançar as
pessoas, e umas das estratégias é apelar para o humor. Seria interessante
também, que os professores de arte pudessem trabalhar com esta ferramenta, caso contrário, é muito fácil que aconteça o
que já se tem acontecido que é os alunos aprenderem uma linguagem crítica
apenas para reproduzir e obterem suas notas.
Toda
esta abordagem mostra que a arte nas escolas, como tem sido ensinada (distante
da realidade dos alunos) não poderá subsistir por muito tempo, é necessário que
o ensino das artes esteja atento às questões recentes, à como as imagens têm
influenciados os alunos, que quer se queira quer não, estarão em sala de aula
sob os efeitos de tais influências e ansiosos para que a aula acabe para
voltarem às suas realidades. Não deveria a aula de artes ser real?
REFERÊNCIA:
Duncum,
Paul, POR QUE A ARTE-EDUCAÇÃO PRECISA MUDAR E O QUE PODEMOS FAZER. EDUCAÇÃO DA
CULTURA VISUAL.
