sexta-feira, 14 de março de 2014

POR QUE A ARTE-EDUCAÇÃO PRECISA MUDAR E O QUE PODEMOS FAZER

            Ser professor de arte hoje em dia não é tarefa fácil, visto que a linguagem visual hoje é bem diferente da de poucos anos atrás. Cultura hoje em dia não está ligada à pinturas, gravuras e até mesmo fotografia.
Com a globalização, vivemos em um mundo em que as informações são muito rápidas, as imagens precisam de movimento, as pessoas têm dificuldade em parar para apreciar uma imagem, seja ela uma fotografia, hoje todo mundo registra tudo, praticamente todos os celulares tem câmeras, têm-se uma infinidade de fotos guardadas nas pastas do computador, mas ninguém mais fica olhando como com os álbuns de família antigamente, a questão afora é pressa, agilidade, correria.
Como se não bastasse apenas isso, todo esse bombardeio de informações vindos pelos meios de comunicação em massa (maiores propagadores de imagens) causa uma série de comportamentos ruins tanto para o indivíduo como para a sociedade em que este se insere. Igreja, governo, sindicato, classe social e família são praticamente irrelevantes ao ponto de vista de uma sociedade moldada pelo consumismo e o hedonismo. As pessoas são individualistas, preocupadas apenas com seus próprios interesses e não fazendo nada enquanto a maldade não lhe atinge.
O problema é que por trás deste monte de imagens apresentadas pelos meios de comunicação em massa, há todo um jogo de interesses por trás de tudo isso. Há instituições que por estes meios divulgam suas ideias e intenções, que estão sendo compradas, ou, aceitas sem qualquer reflexão, e isso é extremamente perigoso.
Diante desta situação, cabe aos professores de arte, terem a sensibilidade de saber abordar estes temas com os alunos. Por meio especialmente da pesquisa individual e coletiva, é possível se conseguir boas observações daquilo que para os alunos muitas vezes, passa despercebido. O currículo de arte tem se prendido à algo muito distante da realidade dos alunos, pinturas, esculturas, etc., já foram algum dia as imagens que influenciavam a cultura, hoje, as imagens que influenciam são as de televisão e internet, por que não trabalhar com essas imagens, partindo delas, é possível se abordar diversos temas, o que será menos cansativo para os alunos e mais realizador ao professor.
Ainda como estratégia de abordagem para este tipo de trabalho, é interessante que os professores também aprendam algo com a mídia, esta sabe como alcançar as pessoas, e umas das estratégias é apelar para o humor. Seria interessante também, que os professores de arte pudessem trabalhar com esta ferramenta,  caso contrário, é muito fácil que aconteça o que já se tem acontecido que é os alunos aprenderem uma linguagem crítica apenas para reproduzir e obterem suas notas.
Toda esta abordagem mostra que a arte nas escolas, como tem sido ensinada (distante da realidade dos alunos) não poderá subsistir por muito tempo, é necessário que o ensino das artes esteja atento às questões recentes, à como as imagens têm influenciados os alunos, que quer se queira quer não, estarão em sala de aula sob os efeitos de tais influências e ansiosos para que a aula acabe para voltarem às suas realidades. Não deveria a aula de artes ser real?

REFERÊNCIA:

Duncum, Paul, POR QUE A ARTE-EDUCAÇÃO PRECISA MUDAR E O QUE PODEMOS FAZER. EDUCAÇÃO DA CULTURA VISUAL.

terça-feira, 11 de março de 2014

O MEDIADOR DA ARTE NO MUSEU E NA ESCOLA

            Seria muito interessante se os professores de arte tivessem a visão clara das razões de ser um professor de arte, quais são os objetivos a serem alcançados em sala de aula ou o que esperar de seus alunos. Muitos professores de arte erram em exigir de seus alunos coisas que não são lógicas para um certo tipo de educação acadêmica, muitos exigem de seus alunos, uma certa técnica ou visão sobre arte que é desnecessária para boa parte de seus alunos.
            É importante ter a visão de que em sala de aula, o professor não deve esperar formar artistas. A escola tem como função formar cidadãos e dentro dela, muito embora alguma coisa influencie o aluno a decidir que ramo profissional seguir, lida-se com pessoas que terão as mais diversas profissões e quer aceitemos ou não, a menor parte se dedicará à arte.
            Em uma situação assim, qual deve ser o papel da arte na escola? Ora, se observarmos bem, veremos que a arte está presente em qualquer área da vida, até porque a arte nada mais é do que uma representação da vida. Para quê? Para que se tenha uma visão mais clara e poetizada, muitas vezes, de problemas que para muitos passam desapercebidos.
            Em uma mediação em um museu, o mediador lida com pessoas das mais diversas origens, no entanto, procura – se de fato estiver interessado em apresentar as obras de forma séria – contextualizar a obra, problematizar questões para que as pessoas se sintam mais próximas da obra. E por quê não fazer o mesmo nas escolas? Os alunos precisam se sentir mais situados ao serem confrontados com algo que embora distante deles, tem um significado aplicável à suas vidas, afinal, as obras de arte são registros de toda uma história de desenvolvimento (ou não) do ser humano.

            Mas muitos professores muitas vezes se preocupam em passar atividades para seus alunos que lhes podam a liberdade de se expressar como querem ou como podem, criando uma barreira entre a arte e o aluno. Os alunos se sentem muitas vezes incapazes de realizar certas atividades por não se considerarem aptos o suficiente para tal. Essa aptidão é gerada da comparação do que eles consideram belo (muitas vezes injetada em suas mentes por professores de arte) e de suas capacidades e limitações, fora que muitas vezes, as atividades sugerem mais reproduções de clichês que uma problematização, uma discussão, uma visão mais apurada de problemas atuais, parecendo que a arte só serviu para o passado.
            O professor de arte precisa estar informado, atualizado, para poder saber propor atividades racionais aos seus alunos, deixa-los experimentar e assim descobrirem a melhor forma de se expressar, sentindo-se seguros e confiantes em suas ideias, percebendo que a arte não se limita a reproduzir ou inventar imagens fruto de uma vontade pessoal simplesmente, mas que é fruto de uma percepção aguçada sobre questões contemporâneas.

REFERÊNCIAS

Janina Sanches, Marcos Ferreira-Santos, Rogério Almeida, ARTES, E EDUCAÇÃO, Editora CRV.