quarta-feira, 13 de agosto de 2014

VOCÊ ACREDITA?

"O mesmo interesse pessoal, a mesma atenção para com o desenvolvimento individual são necessários na obra educativa hoje. Muitos jovens que aparentemente nada prometem, são ricamente dotados de talentos que não aplicam a uso algum. Suas faculdades permanecem ocultas por causa da falta de discernimento por parte de seus educadores. Em muito menino ou menina de aparência tão pouco atraente como a pedra não lavrada, pode-se encontrar precioso material que resista à prova do calor, tempestade e pressão. O verdadeiro educador, conservando em vista aquilo que seus discípulos podem tornar-se, reconhecerá o valor do material com que trabalha. Terá um interesse pessoal em cada um de seus alunos, e procurará desenvolver todas as suas faculdades. Por mais imperfeitos que sejam eles, incentivará todo o esforço por conformar-se com os princípios retos". - WHITE, ELLEN G. Educação, p.232

     Quando a gente estuda, muitos professores marcam nossa trajetória, bons e ruins. Mas existe algo muito legal que é o de ver em um professor que ele acredita no seu potencial. Eu tive isso durante toda a minha vida acadêmica, não com todos, mas especialmente com os de Artes, Português, Educação Física e alguns de Geografia e História. Bem, dá para imaginar para que rumo segui, não é mesmo?! Humanas. Sim, hoje estudo Arquitetura e Urbanismo e estou para me formar em Licenciatura em Artes Plásticas, tudo pela Universidade de Brasília.
      Vim de uma comunidade muito simples, apesar de nascer em Brasília, vivi, até agora, a maior parte de minha vida no bairro Jardim Planalto, em Luziânia - GO. Infelizmente, um bairro que já foi muito tranquilo, tem sofrido com o aumento da violência e a falta de investimento para que cresça e se desenvolva. Se uma pessoa passa mal ali, à noite, é difícil conseguir atendimento em um hospital. Se é assaltado, roubado ou precise de um serviço policial, não sei como está hoje, mas além da distância, por diversas vezes precisei ir à delegacia e ou não tinha tempo, por ser contra-mão das atividades, ou estava fechada. Você acha que uma pessoa ali vai querer ir à uma delegacia porque foi assaltada? Claro que não! Ela prefere seguir em frente e tentar reconquistar o que perdeu! E para estudar, tem uma escola pública lá que atende do ensino fundamental ao médio todos os jovens do bairro e proximidades, funcionando em três turnos. A arquitetura da escola não é lá suficiente para atender com qualidade os alunos.
     Assim, as pessoas adoecem e não se tratam com qualidade, a violência aumenta e as estatísticas não mostram, muitos alunos tem baixo rendimento na escola e por isso fica. Mas será que é só lá que existem esses tipos de problemas no Brasil? E de quem é a culpa disso tudo? Bem, sabemos que este, infelizmente tem sido um problema recorrente no Brasil. Felizmente, nos últimos anos isso tem mudado, o Brasil avançou muito especialmente nas estatísticas referentes à educação, que é mais o nosso caso, não é mesmo?!
     E de fato, esta se não for a principal, está na raiz do problema! Podemos culpar como quisermos o governo de não fazer o país se desenvolver, mas nós, professores e educadores, temos grande parcela de culpa nisso se não fizermos nossos alunos chegarem longe! Como fazer isso, é outra história, porque depende muito de muitas coisas, mas o professor precisa estar ciente do seu papel!
     No início de 2013 tínhamos 11% da população nas universidades. Você sabia que o ideal é ao menos 31%? E o que temos a ver com isso? Bem, é muito bacana ter muitos jovens na escola, como temos hoje, mas a economia de um país é muito influenciada pelo número de jovens nas universidades! Hoje se reclama muito que faltam médicos, mas onde é que o governo vai achar esses médicos aqui? Nossos alunos precisam ser médicos! As indústrias Brasileiras precisam de pesquisas e de melhor produção, nossos alunos tem que ser engenheiros, cientistas, químicos, físicos, farmacêuticos, e por aí vai... Também há necessidade de técnicos. Para você ter uma ideia, das pessoas que não chegaram a ter um nível superior 6,4% ganham mais de cinco salários mínimos, mas dos que chegaram lá, esse número vai para 33,9%, só mais de 500% de diferença... É claro que não é só fazer faculdade e tudo vira flores, mas é um grande passo para virar...
     É claro que o Brasil precisa investir na educação dessas crianças e desses jovens, e achar uma solução para a falta desses profissionais até termos os nossos, quem sabe, importando profissionais de fora. Olha aí o que aconteceu conosco recentemente: perdemos a copa do mundo, quando surgiu o boato de que poderíamos ter um técnico estrangeiro, o pessoal pulou fora! Gente, o que que tem? Precisamos desse intercâmbio de informações. Mas não, fica feio para nosso lado, é uma humilhação assumirmos que precisamos dessa ajuda... Vergonha é perder em quase tudo quando se vai comparar com outros países! "A gente perde, mas perde com dignidade", e quem pensa assim é digno de alguma coisa? Podemos até perder, mas desde que seja se esforçando para ganhar, não achando que um dia a sorte fica ao nosso favor!
    Pois bem, voltando para os professores, a você que é professor agora, eu te pergunto: quantos alunos você tem? E quantos desses alunos você acredita que serão esses profissionais que precisamos? Quantos deles você acredita que irão entrar nas universidades e vão fazer o Brasil crescer? Sinceramente, pense nome por nome, o que você acredita que este aluno será ao terminar o nível médio? Porque se você não acredita que todos eles possam ir para a universidade, você não acredita no seu próprio trabalho. Não acredita em um Brasil melhor, está esperando a sorte descer aqui no nosso país.
     Nós precisamos acreditar no potencial de todos os nossos alunos e fazer com que eles atinjam o máximo que podem ser! É claro que nem todos podem ser médicos, físicos, matemáticos, químicos, eu mesmo, sou um caso desses, porque isso não tem nada a ver comigo! Mas posso ser um monte de outras coisas... Era isso o que os meus professores favoritos viam em mim. Nem todo mundo pode ser o melhor gerente do mundo, mas se não puder ser isso, pode ser o melhor técnico, o melhor recepcionista, o melhor aluno, seja no que for! Só precisamos olhar com fé para essas pessoas! E todos nós podemos fazer muito bem mais de uma coisa, por isso não fique focado só em um caminho que a pessoa pode trilhar. Descubra o que seus alunos querem ser e ajude-os a chegar lá, custe o que custar! As vezes, o que vai incentivar uma pessoa a acreditar ou não em si mesma, é um simples olhar de confiança à ela dirigido. Faça isso!