quinta-feira, 17 de março de 2016

FORA QUEM? REFORMA DE QUE?

Eu não sei você, mas eu estou curtindo muito os movimentos recentes envolvendo o Brasil. Bem, apesar de eu ter um posicionamento político,  não é minha intenção com este texto, fazer você mudar de ideais políticos, nem concordar com os meus. Bem, em partes. Se estou escrevendo, é óbvio que desejo que os leitores deste texto saiam transformados após esta leitura, uma reflexão, uma gota de insatisfação já é o suficiente.

Bem, olhando as redes sociais, especialmente em dias assim, a gente nota a quantidade de absurdos oriundos da ignorância política (e quem dera fosse apenas política) das pessoas. Tem um grupo defendendo o PT, um grupo defendendo a oposição, outro que só faz brincadeiras, outro que nem sabe o que está acontecendo, outro que acha que tudo isso isso é uma grande palhaçada e que nada do que se propõe nesses protestos é a solução. E de fato, qual é a solução?

Eu vejo que a resposta mais próxima do que eu acredito que seja a solução é uma reforma política, e é nessa linha de raciocínio que quero trabalhar. Eu vejo a crise do Brasil como uma crise de identidade, o brasileiro está perdendo a identidade, e isso, por falta de um líder. Porque uma pessoa, para estar em um cargo de confiança precisa exercer liderança. Mas essas pessoas estão desacreditadas, o povo não tem em quem confiar, e quando confiam, são decepcionados. Mas decepções não é razão para entrar em depressão, a gente precisa aprender a lidar com isso.

Porém, esperamos uma reforma política, creio que você também espere. Mas com você espera que seja feita a reforma política? Se isso não for feito por iniciativa popular ou com a ajuda e opinião da população, eu acredito que continuaremos na mesma. Hoje, os principais nomes da Presidência, do Congresso Nacional(Câmara e do Senado) estão envolvidos em investigações de corrupção. Esses mesmos, que estão envolvidos são os representantes dos poderes legislativo e executivo.

Olha que coisa interessante! O Brasil desacreditou os poderes legislativo e executivo e está apostando alto que o poder judiciário salve o país! O país clama por socorro para nos defender dos poderes legislativo e executivo! Bem, os maiores nomes do poder judiciário não entram ali por voto popular. Não há eleições para ministros da justiça. No poder judiciário, eles passam por concurso, são pessoas que tem uma história muito longa na área jurídica, precisam ter conduta louvável. Essas são as pessoas do judiciário.

Para se chegar à Presidência da República ou ao Congresso Nacional, é preciso ser eleito por maioria de votos da população brasileira onde o candidato ou a candidata concorreu. Aí é que se começa o problema e a primeira contradição do que o brasileiro quer! O brasileiro clama por justiça! Mas o que é justiça? Bem justiça é fazer valerem as leis! Quais leis? As leis que os representantes do povo, eleitos pelo povo (para a Presidência, a Câmara Federal e o Senado Federal), fazem. Sim, quem faz as leis no Brasil são aqueles que o brasileiro coloca lá.

Você acha que uma pessoa corrupta vai fazer leis que beneficiem a população ou ele e seus comparsas? Bem, a resposta é obvia: ele fará leis que lhe beneficiem! Então o problema está quase resolvido. Basta não colocarmos corruptos no poder. Ora, mas como sabermos se a pessoa é ou não corrupta? Simples! Pesquisando! Exatamente, pesquisando.

Mas o nosso problema é que não gostamos de pesquisar. Não gostamos de sair da nossa zona de conforto, não gostamos de ser incomodados. Por isso que quando começa o horário político, a maioria diz: já começou o besteirol, vou desligar isso (ou mudar de canal). A maioria não anota as propostas dos candidatos, nem do que vai votar. A maioria não pesquisa o passado, o histórico daquele candidato. Aí, chega no dia da eleição, e essa grande massa, que é a maioria, decide quem vai fazer as leis do nosso país. Aí eu te pergunto: tem lógica uma coisa dessas?

Aí, quando o Brasil tá no fundo do poço, a massa sai pra rua pra gritar por justiça esperando que pessoas que ele nunca ouviu falar na vida resolvam o problema que eles mesmos causaram. Causaram porque é mais confortável assistir programas imbecis e alienantes na televisão que assistir o horário político, porque é mais confortável votar nulo ou branco que votar em uma pessoa após uma pesquisa sobre o histórico dela. É mais fácil votar em quem me fez decorar o número com o jingle ou que sujou a rua jogando um monte de santinhos do que levar meu papel escrito os nomes e números dos candidatos que eu pesquisei.

Enquanto não reformarmos nossas mentes, nossas atitudes, não adianta reclamar por reforma política. Enquanto não jogarmos fora a nossa preguiça e ego, não adianta gritar "fora fulano ou partido". As leis que eles fazem lhes beneficiam justamente nessas horas, em que nos indignamos contra eles, mas nem sabemos o que fazer para tira-los do poder a não ser por duas opções que a mídia nos informou ou por gritarias e badernas. Enquanto eles, se não sabem de toda a lei que fizeram em benefício de si mesmos, tem condições de pagar quem saiba e os possa livrar da vergonha que são.

Nunca saberemos quem vai fazer coisa errada lá dentro, mas é muito fácil saber quem já fez. Nas próximas eleições, a gente tira quem fez porcaria e coloca quem achamos que tem condições de melhorar as leis e o país. Sobre nossa situação atual, é torcer para que quem pode agora, faça alguma coisa. Numa democracia a gente tem que respeitar a maioria e a legalidade, fora disso, e andar para trás!

QUANTO VOCÊ COBRA? 3

Mas agora entramos de fato no tema  (porque eu já tinha dito que já entramos no assunto): quanto eu devo cobrar pelos meus serviços? Como eu havia dito, é difícil comparar uma coisa com outra. Mas veja bem: o que você acha que me dá mais dinheiro, desenhar, que tenho vasta experiência, conhecimento acadêmico e habilidade ou fotografar, que não tenho nem meia década de experiência? Quanto você me pagaria por uma hora de fotografia e quanto me pagaria por uma hora desenhando você? Bem, eu nem vou responder essas questões porque nós dois já sabemos as respostas.

Então, o que valorizamos mais? A pessoa, o talento, o conhecimento, a experiência, o material..? Tudo isso tem um custo! E que alto custo! Eu já dei uma ideia só de tempo, o quanto investi em mim para chegar a ser e fazer o que sou e faço hoje! Aí uma pessoa me perguntou:
- Quanto você cobra por um desenho assim e assim?
- Tanto. - Respondi.
- Mas tudo isso?! Eu conheço uma pessoa que desenha também e acho que nem cobra.
- E o desenho é bom?
- Sim! - Ela (a pessoa, porque nem lembro que era a pessoa, só me lembro da conversa) respondeu.
- Mas eu duvido que vai ter a minha assinatura!
- Ah, então o valor é pela sua assinatura?!
Eu não me lembro o que respondi depois disso, mas você percebe aí uma clara desvalorização de tudo o que investi. Bem, a menos que eu consiga entrar no circuito artístico e ser famoso e ganhar prêmios, e tantas outras coisas, dificilmente, desenhando, eu vou recuperar o meu investimento. Ou seja, se for depender de quanto os outros querem me pagar, de tudo o que já investi para desenhar como desenho hoje, eu nunca vou recuperar meu investimento! Entende a situação?!

Lembra daquele cantor que eu conversei um dia? Então, naquele dia também ele me perguntou: quanto você acha que eu cobro por apresentação? Você saberia responder esta pergunta? Bem, imagine um cara que é compositor de músicas conhecidas, mas não é um cantor muito conhecido, mas sua apresentação é muito boa, de alta qualidade. Quanto você pagaria se montasse um evento e o convidasse para cantar?

Bem ali estava eu, diante deste desafio. "Chute aí, qualquer valor... R$ 1000,00", disse ele. E completou: "bem, se eu gravo um disco razoável aí e gasto R$ 60000,00, significaria dizer que para cobrir meu investimento, eu precisaria fazer sessenta apresentações de R$1000,00 para começar a obter lucro". Não sei o que você pensa sobre isso, mas entenda que o cara tem que comer, tem que comprar comida, manter sua casa, seu carro, viajar, tudo isso que você precisa e gosta de fazer também, e manter a família! Ele não pode dizer para a família dele: esperem aí eu fazer sessenta apresentações para a gente poder ter dinheiro. Então de cada R$ 1000,00 que ele ganha, ele separa metade para gastar com a família e metade para cobrir os custos do CD, agora ele não precisa de sessenta, mas de cento e vinte apresentações para cobrir seu investimento!

E para a fotografia? Eu fotografo a bem menos tempo que desenho. Mas já tenho uma câmera bacana. Vamos pegar um tipo como eu e colocar na balança, vou fazer o mesmo que aquele cantor e empresário me fez. Quanto você acha que seria um preço justo para me pagar por um ensaio fotográfico?! E olha que eu ainda cobro mais barato porque não tenho estúdio, assistentes, família para sustentar e nem uma vasta experiência e maquinário despojado! Sabe quanto eu já investi na fotografia? Vou te dar uma dica: eu conto que para começar a obter lucros com fotografia, eu preciso fazer mais uns nove ensaios, cobrando abaixo da média ainda. Mas um dia o preço sobe, e precisa subir, e se hoje as pessoas acham caro, imagine mais pra frente.

Por isso, é meio complicado ganhar dinheiro por lucro ao invés de salário. Salário é mais fácil de pagar, pega ali um piso salarial e dá dinheiro em troca do tempo, dos serviços e da experiência de uma pessoa. Sem que a pessoa saiba que provavelmente ela não está nem perto de cobrir o que já investiu. Vou dar um outro exemplo, na minha área, claro, estou puxando a sardinha para o meu lado! Uma mensalidade de arquitetura custa aí na faixa de R$ 2000,00, um pouquinho mais barata. O curso de arquitetura tem cinco anos. Imagine o valor do investimento que o ser humano não pagou ao final do curso, fora o material! Agora me pergunte quanto está ganhando um arquiteto ou quanto você pagaria para um arquiteto construir ou reformar sua casa... bem se ele ganhar R$ 2000,00 por mês, ele vai levar o mesmo tempo que levou de estudos para começar a obter lucro! 

Se você é educador, ou educadora, reserve um tempo para conversar sobre isso com seus filhos, alunos, parentes e amigos também, que de repente precisam saber isso, e reflita também, não que não seja preciso pedir descontos e busca um preço mais barato nas coisas, mas dê valor, especialmente quando encontrar um serviço de boa qualidade por um preço mais em conta! E ensine que é preciso também nós aprendermos a dar valor nas coisas dos outros e nas nossas! Pensando em quanto a pessoa investiu, fica mais fácil entender o quanto ele precisa.

quinta-feira, 10 de março de 2016

QUANTO VOCÊ COBRA? 2

Caramba! Quanta verdade! A partir dali eu comecei a pensar em quanto dinheiro eu estava perdendo por não cobrar... Bem falando neste ponto, algumas pessoas ao lerem isso, já podem pensar: nossa que cara mais capitalista... Não pense assim. Se você pensar assim, você estará pensando errado, e vou te mostrar porquê no decorrer deste texto. Como eu havia falado, eu já aprendi muitas coisas na vida, e hoje eu tenho vinte e quatro anos, se eu dobrar meus conhecimentos nos próximos vinte e quatro anos, em algumas coisas, eu estarei perto do que considero ideal, para mim.

Só existe uma forma de aprender: pagando o preço. Muitos educadores dizem que conhecimento é de graça e que deve ser de graça, e eu por muito tempo pensei assim, mas mudei minha forma de pensar e hoje, acredito que só existe uma forma de aprender: pagando o preço! Não necessariamente em termos monetários. Bem, eu estudei a vida inteira em escola pública, hoje estudo em Universidade pública também, antes eu poderia afirmar que não pago para estudar. Mas se eu for fazer um breve levantamento da minha história, eu vou te dizer: paguei sim, e pago caro por isso! E não, não estou falando aqui de impostos!

Veja bem, eu iniciei meus estudos em 1997 com seis anos de idade. Terminei o Ensino Médio em 2008. Isso representa onze anos da minha vida, mas para não dizer que sou exagerado, vamos fazer cálculos mais precisos: cada ano escolar tem 200 dias, e cada dia de aula em média 5 horas, vou desconsiderar as horas de atividades extracurriculares. 200.5h = 1000h. 1000h = 42 dias por ano, mas contando as 24 do dia, se desconsiderarmos as noites (porque é difícil imaginar uma pessoa estudando 42 dias seguidos sem fazer qualquer outra coisa), temos aí 84 dias por ano . Eu fiz isso por 11 anos! 84.11 = 924 dias que transformados em anos, dariam aí dois anos e meio seguidos. Isso para obter conhecimento: aprender a ler, a escrever, geografia, matemática, etc.

Aí eu passo para a Universidade, iniciei meus estudos cursando Licenciatura em Artes Plásticas e depois migrei para a Arquitetura e Urbanismo, onde me encontro hoje. Entrei em 2010 e estou até hoje, 2016. Bem, o cálculo para o tempo que dedico à faculdade é bem mais complexo que o que fiz para a escola. Hoje, no dia em que escrevo este texto, por exemplo, eu saí em busca de emprego, trabalho. E não consegui uma oportunidade porque tenho aulas de terça a quinta, o dia inteiro, praticamente. Quem vai contratar alguém que só pode trabalhar segunda e sexta durante a semana? Bem, eu não estou reclamando de falta de oportunidades, nem nada, não é isso, até porque como eu já disse, eu tenho minhas formas de ganhar dinheiro. Mas estou pagando meu preço.

Estranho pra você pensar assim? Eu sou capitalista pra você por pensar assim? Bem, eu até posso entender a sua forma de pensar, parece que sou apenas um cara que acha que é perder tempo estudar, não! Não pense assim também, e embora possa parecer isso até aqui, não quero dizer isso, porque ainda não acabei. Na verdade, o tempo que gasto para estudar não vejo como um gasto, mas sim como um investimento. Estou investindo em mim! Óbvio! E por isso que não largo o osso!

continua na próxima postagem

quarta-feira, 9 de março de 2016

QUANTO VOCÊ COBRA?

Essa é para clientes e prestadores de serviço, de qualquer natureza. Vou citar apenas exemplos de situações que eu conheço, para não ficar especulando outras coisas.

Com certeza você um dia precisou de um produto ou um serviço e pensou: como eu posso ter isso pagando bem barato?! Se você já pensou assim alguma vez na vida, muito prazer, eu também sou assim, e se tivermos mais algumas características em comum, acho que podemos até ser amigos... Bem, é óbvio que nós, meros mortais, em sã consciência, sempre iremos procurar o preço mais barato para pagar naquilo que queremos. Mas precisamos também aprender a valorizar certas coisas e especialmente as pessoas.

Eu sou uma pessoa multifuncional, não me acho melhor que os outros por isso, mas isso me faz bastante feliz. Sou o tipo de pessoa que quando olha para uma coisa legal e se interessa em aprender, eu aprendo. Assim eu aprendi a desenhar, fotografar, tocar, cantar, pregar, escrever, editar imagens, aprender outros indiomas. Em fim, tudo que eu gosto, e me interesso, eu vou lá aprender. Algumas destas coisas eu tenho mais habilidade que outras, algumas dessas coisas eu dedico mais tempo que outras, algumas dessas coisas eu invisto mais que outras ou pratico mais, ou tenho mais experiência. Por exemplo, eu desenho desde antes de aprender a escrever, mas toco violão há uns quatro anos. Bem, são exemplos difíceis de comparar, mas com certeza você entende que minha habilidade em desenhar é bem maior do que a de tocar violão.

Por causa disso eu já ganho dinheiro desenhando, mas não ganho dinheiro tocando violão. Bem, agora sim podemos entrar no assunto propriamente dito. Muitas pessoas, quando descobrem que eu desenho e faço retratos, logo soltam a frase: então me desenha! E geralmente, quando fazem isso, elas não pensam em pagar. Mas outras descobrem que eu fotógrafo, isso já dá uma vergonha a mais de me pedirem para fotografar sem pagar, mas soltam as frases: quanto você cobra ou você faz baratinho?!

Certo dia saí com um cantor e empresário, e tivemos uma das conversas mais agradáveis que já tive na vida, aquela que você aprende cada coisa que parece que as palavras ficam ecoando eternamente em sua cabeça. Na época eu já tinha uma certa experiência em fotografia, mas ainda não achava suficiente, por isso, eu praticamente não cobrava e na verdade, nem sabia cobrar pelos meus serviços. A gente conversava sobre fotografia e eu disse que fotografava, e ele ficou impressionado e perguntou: e você cobra as pessoas? Eu respondi que ainda não e ele me disse uma frase que está anotado no meu caderno de aprendizados: "as pessoas só vão te pagar quando você cobrar".

continua na próxima postagem