terça-feira, 11 de março de 2014

O MEDIADOR DA ARTE NO MUSEU E NA ESCOLA

            Seria muito interessante se os professores de arte tivessem a visão clara das razões de ser um professor de arte, quais são os objetivos a serem alcançados em sala de aula ou o que esperar de seus alunos. Muitos professores de arte erram em exigir de seus alunos coisas que não são lógicas para um certo tipo de educação acadêmica, muitos exigem de seus alunos, uma certa técnica ou visão sobre arte que é desnecessária para boa parte de seus alunos.
            É importante ter a visão de que em sala de aula, o professor não deve esperar formar artistas. A escola tem como função formar cidadãos e dentro dela, muito embora alguma coisa influencie o aluno a decidir que ramo profissional seguir, lida-se com pessoas que terão as mais diversas profissões e quer aceitemos ou não, a menor parte se dedicará à arte.
            Em uma situação assim, qual deve ser o papel da arte na escola? Ora, se observarmos bem, veremos que a arte está presente em qualquer área da vida, até porque a arte nada mais é do que uma representação da vida. Para quê? Para que se tenha uma visão mais clara e poetizada, muitas vezes, de problemas que para muitos passam desapercebidos.
            Em uma mediação em um museu, o mediador lida com pessoas das mais diversas origens, no entanto, procura – se de fato estiver interessado em apresentar as obras de forma séria – contextualizar a obra, problematizar questões para que as pessoas se sintam mais próximas da obra. E por quê não fazer o mesmo nas escolas? Os alunos precisam se sentir mais situados ao serem confrontados com algo que embora distante deles, tem um significado aplicável à suas vidas, afinal, as obras de arte são registros de toda uma história de desenvolvimento (ou não) do ser humano.

            Mas muitos professores muitas vezes se preocupam em passar atividades para seus alunos que lhes podam a liberdade de se expressar como querem ou como podem, criando uma barreira entre a arte e o aluno. Os alunos se sentem muitas vezes incapazes de realizar certas atividades por não se considerarem aptos o suficiente para tal. Essa aptidão é gerada da comparação do que eles consideram belo (muitas vezes injetada em suas mentes por professores de arte) e de suas capacidades e limitações, fora que muitas vezes, as atividades sugerem mais reproduções de clichês que uma problematização, uma discussão, uma visão mais apurada de problemas atuais, parecendo que a arte só serviu para o passado.
            O professor de arte precisa estar informado, atualizado, para poder saber propor atividades racionais aos seus alunos, deixa-los experimentar e assim descobrirem a melhor forma de se expressar, sentindo-se seguros e confiantes em suas ideias, percebendo que a arte não se limita a reproduzir ou inventar imagens fruto de uma vontade pessoal simplesmente, mas que é fruto de uma percepção aguçada sobre questões contemporâneas.

REFERÊNCIAS

Janina Sanches, Marcos Ferreira-Santos, Rogério Almeida, ARTES, E EDUCAÇÃO, Editora CRV.

Nenhum comentário:

Postar um comentário