Seria muito interessante se os
professores de arte tivessem a visão clara das razões de ser um professor de
arte, quais são os objetivos a serem alcançados em sala de aula ou o que
esperar de seus alunos. Muitos professores de arte erram em exigir de seus alunos
coisas que não são lógicas para um certo tipo de educação acadêmica, muitos
exigem de seus alunos, uma certa técnica ou visão sobre arte que é
desnecessária para boa parte de seus alunos.
É
importante ter a visão de que em sala de aula, o professor não deve esperar
formar artistas. A escola tem como função formar cidadãos e dentro dela, muito
embora alguma coisa influencie o aluno a decidir que ramo profissional seguir,
lida-se com pessoas que terão as mais diversas profissões e quer aceitemos ou não,
a menor parte se dedicará à arte.
Em
uma situação assim, qual deve ser o papel da arte na escola? Ora, se observarmos
bem, veremos que a arte está presente em qualquer área da vida, até porque a
arte nada mais é do que uma representação da vida. Para quê? Para que se tenha
uma visão mais clara e poetizada, muitas vezes, de problemas que para muitos
passam desapercebidos.
Em
uma mediação em um museu, o mediador lida com pessoas das mais diversas
origens, no entanto, procura – se de fato estiver interessado em apresentar as
obras de forma séria – contextualizar a obra, problematizar questões para que
as pessoas se sintam mais próximas da obra. E por quê não fazer o mesmo nas
escolas? Os alunos precisam se sentir mais situados ao serem confrontados com algo
que embora distante deles, tem um significado aplicável à suas vidas, afinal,
as obras de arte são registros de toda uma história de desenvolvimento (ou não)
do ser humano.

Mas
muitos professores muitas vezes se preocupam em passar atividades para seus alunos
que lhes podam a liberdade de se expressar como querem ou como podem, criando
uma barreira entre a arte e o aluno. Os alunos se sentem muitas vezes incapazes
de realizar certas atividades por não se considerarem aptos o suficiente para
tal. Essa aptidão é gerada da comparação do que eles consideram belo (muitas
vezes injetada em suas mentes por professores de arte) e de suas capacidades e
limitações, fora que muitas vezes, as atividades sugerem mais reproduções de
clichês que uma problematização, uma discussão, uma visão mais apurada de
problemas atuais, parecendo que a arte só serviu para o passado.
O
professor de arte precisa estar informado, atualizado, para poder saber propor
atividades racionais aos seus alunos, deixa-los experimentar e assim descobrirem
a melhor forma de se expressar, sentindo-se seguros e confiantes em suas
ideias, percebendo que a arte não se limita a reproduzir ou inventar imagens
fruto de uma vontade pessoal simplesmente, mas que é fruto de uma percepção
aguçada sobre questões contemporâneas.
REFERÊNCIAS
Janina Sanches, Marcos
Ferreira-Santos, Rogério Almeida, ARTES, E EDUCAÇÃO, Editora CRV.
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