sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

BRASILEIROS BURROS?

O Brasil é um país em desenvolvimento. Não é difícil notar o grande salto que deu no decorrer dos últimos anos em diversas áreas, ainda assim, todos nós estamos cientes de seus problemas. É interessante que praticamente todos os brasileiros sabem os avanços e os atrasos do Brasil, por isso não é novidade falar sobre um dos maiores problemas do Brasil: a educação. Ouço muito falar que o brasileiro é muito burro, por diversas razões, dentre elas a de não saber reclamar seus direitos ou escolher um representante político, mas será que há mesmo, tantas pessoas burras no quinto maior país do mundo?
Antes de ingressar na universidade, eu já tinha diversos projetos educacionais em construção na mente. Me interesso especialmente pela educação que vou chamar aqui de não tradicional. Esse tipo de educação como o EJA, altas habilidades e educação com necessidades especiais
Acho que este interesse surgiu em especial quanto eu estava no terceiro ano do ensino médio, duas coisas em especial me fizeram ver as coisas por outro ângulo: ingressar no Programa de Altas Habilidades em artes e tirar notas baixas em matemática. Para mim, dois grandes contrastes.
Sempre me destaquei nas matérias de artes por estar sempre à frente dos meus colegas em desenho, por conta disso, sempre fui muito bem tratado pelas professoras (não cheguei a ter professor) desta matéria.
Já em matemática, fui até bem até a quarta série, época em que minha mãe trabalhava muito e eu ficava só com minha irmã, acabei sendo influenciado a me aventurar pelo mundo (meu mundo era o meu bairro e depois bairros vizinhos) com certos amigos e meu rendimento escolar começou a cair. A partir da quinta série minha história mudou drasticamente.
         Vou fazer o relato apenas voltado para matemática. No fim da quarta série, minha mãe resolveu transferir minha irmã e eu para escolas próximas do trabalho dela, onde ela pudesse nos acompanhar mais de perto, rapidamente minhas notas subiram. Mas ao passar para a quinta série, a mudança de cara era que tinha um professor(a) para cada matéria. Minha professora de matemática logo me deu um gelo dizendo não ser irmã da minha mãe para  que eu a chamasse de tia. Eu havia aprendido com minha mãe que chamar os mais velhos de tio ou tia era uma questão de respeito, ali houve o primeiro confronto, ela estava rebaixando na minha frente, a educação da minha mãe. Eu embora não gostasse muito do jeito daquela professora (um jeito muito grosseiro em minha opinião) tinha uma profunda vontade de lhe agradar, eu a achava bonita e inteligente, mas meus esforços pareciam fracassar vez após vez. Havia um colega de classe que era todo bonitinho, inteligente, simpático, este se destacava nas aulas dela, de modo que apenas ele podia dar uma resposta sem precisar explicar como havia chegado a tal conclusão, bastava dizer: “tá na cara”, ela sorria e confirmava: “realmente, está na cara”. Mais ninguém ousasse usar a explicação deste menino, ela fachava a cara e pedia uma explicação clara, ainda que a resposta estivesse na cara, isso me chateava.  Mas uma coisa que me feriu de verdade foi quando ela passou uma tarefa para fazer em casa: desenhar a planta da sua casa utilizando uma escala (acho que era 1:100 ou 1:200) e colocar as medidas. Eu vi ali uma ótima oportunidade de agradá-la, era um desenho, acho que fiquei tão feliz que não entendi a parte de colocar as medidas. Cheguei em casa e fiz o exercício com minha mãe, me lembro bem da gente medindo as paredes com a fita métrica que ela até hoje tem. Na aula seguinte, lá estava eu, todo orgulhoso com o meu caderno de desenho em mãos e minha primeira planta.
- Onde estão as medidas? – Pergunta a professora.
- Que medidas? – Pergunto.
- As medidas da casa que eu pedi.
Fiquei sem chão e tentei explicar que embora eu não soubesse que era para por as medidas, como a planta estava na escala, não seria difícil descobrí-las. Ela não quis saber de explicações, me mandou levantar e sair de sala, eu não iria assistir aquela aula. Saí e chorei. Fui consolado pela porteira e por um aluno de uma turma de aceleração, que me fez sorrir e ajudar a ter uma raiva profunda daquela professora. Decidi que não iria mais tentar agradá-la de forma nenhuma, dalí em diante também não me interessei em mais nada que ela dissesse ou fizesse, consequentemente, passei a odiar matemática também até que cheguei à sexta série. O professor era fantástico (fantárdico, como diria o Tiririca), ele fazia aquele monte de números fazer sentido em minha cabeça, tanto que em sua primeira prova (sobre números positivos e negativos) eu vi uma questão que a achei tão óbvia que marquei a resposta errada por achar que aquilo não pudesse ser tão fácil, quando ele foi explicar as respostas das provas e vi que havia acertado a questão (só errei ao marcar, porque marquei 7 em lugar de -7), fiquei radiante de felicidade ao descobrir que eu não era tão burro quanto a antiga professora me fezera pensar que fosse. Mas o pior aconteceu: logo aquele professor foi transferido e as professoras que o substituíram não eram tão claras como ele para mim criando-se então, uma barreira entre mim e esta ciência.
Só na sétima série é que consegui ter um professor que me fizesse entender esta disciplina. Mas o pior aconteceu: logo aquele professor foi transferido e a professora que o substituiu não era tão clara como ele para mim, retornando a construção da barreira entre mim e a matemática. A cena continuou até o terceiro ano do ensino médio, quando em meu boletim apareceu mais uma nota baixa em matemática, eu corria o risco de ser reprovado, o que não seria nada bom naquela altura do campeonato... fiquei revoltado, pensei em desistir de tudo aquilo, mas ao conversar com os coordenadores, eles me indicaram o Professor Mauro.
Minha nota não deveria ter sido baixa se eu tivesse feito o teste valendo ponto. Eu havia estudado como nunca para ele (e aprendido como nunca também), mas no dia do teste, algo conspirou para que eu chegasse atrasado e o professor não me desse outra oportunidade. Ao estudar com o professor Mauro, comecei a descobrir o potencial que havia dentro de mim, porque ele começou a identificar as falhas que haviam em mim que me faziam muitas vezes não entender nada da matéria. O problema não era minha burrice, era apenas uma falha que ocorreu no meu processo de formação e ninguém identificou, só foram me jogando para frente. Com o professor Mauro, aprendi a estudar matemática sozinho e descobrir que eu era capaz de aprender só! Foi um momento mágico, ao passo que comecei a refletir em quantos alunos estão espalhados por este país na mesma situação em que eu me encontrava.
Descobri ali que não há gente burra, existem pessoas com falhas no processo de formação. Quem não consegue identificar isso nas outras pessoas tende a considerá-las burras. Ao olhar daqui, acho que os valores é que estão invertidos. Um professor consegue identificar trinta alunos problema em uma turma de quarenta. São alunos que não conseguem se concentrar na aula, são agitados ou muito parados, será que estamos diante de um monte de alunos problema e um professor muito sabido, ou um professor problema com alunos que não conseguem ser atraídos por sua didática?

Agradecimentos:
Professoras de arte que tive: Liliane(5ª e 6ª), Adriana ( final da 6ª), até o ensino médio eu não me lembro bem quem foram as outras, porque eram cinco professoras para todas as matérias, então cada uma ficava responsável por umas três matérias, eram Kelly, Charlene, Isaura, Liliane e se você esteve nesta fase e seu nome não está aqui, pode reividicá-lo. Matemática: infelizmente não me lembro o nome dos meus melhores professores que comentei, quanto a da quinta e o do terceiro ano, não lhes citarei por não achar conveniente, interessante e ético, já que falei de seus maus feitos e com certeza muitas pessoas foram (bem) influenciadas por essas duas pessoas. E quantos aos outros professores e professoras de matemática, me lembro dos seguintes: Iolanda, Isaura e Marciliano.
Não vou deixar de expressar minha gratidão também às professoras de 1ª à 4ª: Zulma, Diana, Francisca, Isaura. E peço perdão à duas que gosto muito mas que me deu um branco de seus nomes, a do final da minha quarta série e a do primeiro ano do ensino médio. 

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