O Brasil é um país em
desenvolvimento. Não é difícil notar o grande salto que deu no decorrer dos
últimos anos em diversas áreas, ainda assim, todos nós estamos cientes de seus
problemas. É interessante que praticamente todos os brasileiros sabem os
avanços e os atrasos do Brasil, por isso não é novidade falar sobre um dos
maiores problemas do Brasil: a educação. Ouço muito falar que o brasileiro é
muito burro, por diversas razões, dentre elas a de não saber reclamar seus
direitos ou escolher um representante político, mas será que há mesmo, tantas
pessoas burras no quinto maior país do mundo?
Antes de ingressar na
universidade, eu já tinha diversos projetos educacionais em construção na
mente. Me interesso especialmente pela educação que vou chamar aqui de não
tradicional. Esse tipo de educação como o EJA, altas habilidades e educação com necessidades especiais.
Acho que este interesse
surgiu em especial quanto eu estava no terceiro ano do ensino médio, duas
coisas em especial me fizeram ver as coisas por outro ângulo: ingressar no
Programa de Altas Habilidades em artes e tirar notas baixas em matemática. Para
mim, dois grandes contrastes.
Sempre me destaquei nas
matérias de artes por estar sempre à frente dos meus colegas em desenho, por
conta disso, sempre fui muito bem tratado pelas professoras (não cheguei a ter
professor) desta matéria.
Já em matemática, fui
até bem até a quarta série, época em que minha mãe trabalhava muito e eu ficava
só com minha irmã, acabei sendo influenciado a me aventurar pelo mundo (meu
mundo era o meu bairro e depois bairros vizinhos) com certos amigos e meu
rendimento escolar começou a cair. A partir da quinta série minha história
mudou drasticamente.
Vou fazer o relato apenas voltado para matemática. No fim da quarta série, minha mãe resolveu transferir minha irmã e eu para escolas próximas do trabalho dela, onde ela pudesse nos acompanhar mais de perto, rapidamente minhas notas subiram. Mas ao passar para a quinta série, a mudança de cara era que tinha um professor(a) para cada matéria. Minha professora de matemática logo me deu um gelo dizendo não ser irmã da minha mãe para que eu a chamasse de tia. Eu havia aprendido com minha mãe que chamar os mais velhos de tio ou tia era uma questão de respeito, ali houve o primeiro confronto, ela estava rebaixando na minha frente, a educação da minha mãe. Eu embora não gostasse muito do jeito daquela professora (um jeito muito grosseiro em minha opinião) tinha uma profunda vontade de lhe agradar, eu a achava bonita e inteligente, mas meus esforços pareciam fracassar vez após vez. Havia um colega de classe que era todo bonitinho, inteligente, simpático, este se destacava nas aulas dela, de modo que apenas ele podia dar uma resposta sem precisar explicar como havia chegado a tal conclusão, bastava dizer: “tá na cara”, ela sorria e confirmava: “realmente, está na cara”. Mais ninguém ousasse usar a explicação deste menino, ela fachava a cara e pedia uma explicação clara, ainda que a resposta estivesse na cara, isso me chateava. Mas uma coisa que me feriu de verdade foi quando ela passou uma tarefa para fazer em casa: desenhar a planta da sua casa utilizando uma escala (acho que era 1:100 ou 1:200) e colocar as medidas. Eu vi ali uma ótima oportunidade de agradá-la, era um desenho, acho que fiquei tão feliz que não entendi a parte de colocar as medidas. Cheguei em casa e fiz o exercício com minha mãe, me lembro bem da gente medindo as paredes com a fita métrica que ela até hoje tem. Na aula seguinte, lá estava eu, todo orgulhoso com o meu caderno de desenho em mãos e minha primeira planta.
Vou fazer o relato apenas voltado para matemática. No fim da quarta série, minha mãe resolveu transferir minha irmã e eu para escolas próximas do trabalho dela, onde ela pudesse nos acompanhar mais de perto, rapidamente minhas notas subiram. Mas ao passar para a quinta série, a mudança de cara era que tinha um professor(a) para cada matéria. Minha professora de matemática logo me deu um gelo dizendo não ser irmã da minha mãe para que eu a chamasse de tia. Eu havia aprendido com minha mãe que chamar os mais velhos de tio ou tia era uma questão de respeito, ali houve o primeiro confronto, ela estava rebaixando na minha frente, a educação da minha mãe. Eu embora não gostasse muito do jeito daquela professora (um jeito muito grosseiro em minha opinião) tinha uma profunda vontade de lhe agradar, eu a achava bonita e inteligente, mas meus esforços pareciam fracassar vez após vez. Havia um colega de classe que era todo bonitinho, inteligente, simpático, este se destacava nas aulas dela, de modo que apenas ele podia dar uma resposta sem precisar explicar como havia chegado a tal conclusão, bastava dizer: “tá na cara”, ela sorria e confirmava: “realmente, está na cara”. Mais ninguém ousasse usar a explicação deste menino, ela fachava a cara e pedia uma explicação clara, ainda que a resposta estivesse na cara, isso me chateava. Mas uma coisa que me feriu de verdade foi quando ela passou uma tarefa para fazer em casa: desenhar a planta da sua casa utilizando uma escala (acho que era 1:100 ou 1:200) e colocar as medidas. Eu vi ali uma ótima oportunidade de agradá-la, era um desenho, acho que fiquei tão feliz que não entendi a parte de colocar as medidas. Cheguei em casa e fiz o exercício com minha mãe, me lembro bem da gente medindo as paredes com a fita métrica que ela até hoje tem. Na aula seguinte, lá estava eu, todo orgulhoso com o meu caderno de desenho em mãos e minha primeira planta.
- Onde estão as
medidas? – Pergunta a professora.
- Que medidas? –
Pergunto.
- As medidas da casa
que eu pedi.
Fiquei sem chão e
tentei explicar que embora eu não soubesse que era para por as medidas, como a
planta estava na escala, não seria difícil descobrí-las. Ela não quis saber de
explicações, me mandou levantar e sair de sala, eu não iria assistir aquela
aula. Saí e chorei. Fui consolado pela porteira e por um aluno de uma turma de
aceleração, que me fez sorrir e ajudar a ter uma raiva profunda daquela
professora. Decidi que não iria mais tentar agradá-la de forma nenhuma, dalí em
diante também não me interessei em mais nada que ela dissesse ou fizesse,
consequentemente, passei a odiar matemática também até que cheguei à sexta
série. O professor era fantástico (fantárdico, como diria o Tiririca), ele
fazia aquele monte de números fazer sentido em minha cabeça, tanto que em sua
primeira prova (sobre números positivos e negativos) eu vi uma questão que a
achei tão óbvia que marquei a resposta errada por achar que aquilo não pudesse
ser tão fácil, quando ele foi explicar as respostas das provas e vi que havia
acertado a questão (só errei ao marcar, porque marquei 7 em lugar de -7),
fiquei radiante de felicidade ao descobrir que eu não era tão burro quanto a
antiga professora me fezera pensar que fosse. Mas o pior aconteceu: logo aquele
professor foi transferido e as professoras que o substituíram não eram tão
claras como ele para mim criando-se então, uma barreira entre mim e esta
ciência.
Só na sétima série é
que consegui ter um professor que me fizesse entender esta disciplina. Mas o pior aconteceu: logo aquele
professor foi transferido e a professora que o substituiu não era tão clara
como ele para mim, retornando a construção da barreira entre mim e a
matemática. A cena continuou até o terceiro ano do ensino médio, quando em meu
boletim apareceu mais uma nota baixa em matemática, eu corria o risco de ser
reprovado, o que não seria nada bom naquela altura do campeonato... fiquei
revoltado, pensei em desistir de tudo aquilo, mas ao conversar com os
coordenadores, eles me indicaram o Professor Mauro.
Minha nota não deveria
ter sido baixa se eu tivesse feito o teste valendo ponto. Eu havia estudado
como nunca para ele (e aprendido como nunca também), mas no dia do teste, algo
conspirou para que eu chegasse atrasado e o professor não me desse outra
oportunidade. Ao estudar com o professor Mauro, comecei a descobrir o potencial
que havia dentro de mim, porque ele começou a identificar as falhas que haviam
em mim que me faziam muitas vezes não entender nada da matéria. O problema não
era minha burrice, era apenas uma falha que ocorreu no meu processo de formação
e ninguém identificou, só foram me jogando para frente. Com o professor Mauro,
aprendi a estudar matemática sozinho e descobrir que eu era capaz de aprender
só! Foi um momento mágico, ao passo que comecei a refletir em quantos alunos
estão espalhados por este país na mesma situação em que eu me encontrava.
Descobri ali que não há
gente burra, existem pessoas com falhas no processo de formação. Quem não
consegue identificar isso nas outras pessoas tende a considerá-las burras. Ao
olhar daqui, acho que os valores é que estão invertidos. Um professor consegue
identificar trinta alunos problema em uma turma de quarenta. São alunos que não
conseguem se concentrar na aula, são agitados ou muito parados, será que
estamos diante de um monte de alunos problema e um professor muito sabido, ou
um professor problema com alunos que não conseguem ser atraídos por sua
didática?
Agradecimentos:
Professoras de arte que
tive: Liliane(5ª e 6ª), Adriana ( final da 6ª), até o ensino médio eu não me lembro
bem quem foram as outras, porque eram cinco professoras para todas as matérias,
então cada uma ficava responsável por umas três matérias, eram Kelly, Charlene,
Isaura, Liliane e se você esteve nesta fase e seu nome não está aqui, pode
reividicá-lo. Matemática: infelizmente não me lembro o nome dos meus melhores
professores que comentei, quanto a da quinta e o do terceiro ano, não lhes
citarei por não achar conveniente, interessante e ético, já que falei de seus
maus feitos e com certeza muitas pessoas foram (bem) influenciadas por essas
duas pessoas. E quantos aos outros professores e professoras de matemática, me
lembro dos seguintes: Iolanda, Isaura e Marciliano.
Não vou deixar de
expressar minha gratidão também às professoras de 1ª à 4ª: Zulma, Diana,
Francisca, Isaura. E peço perdão à duas que gosto muito mas que me deu um
branco de seus nomes, a do final da minha quarta série e a do primeiro ano do
ensino médio.
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