quinta-feira, 2 de junho de 2016

VOCÊ TEM O DIREITO DE MANIFESTAR CALADO

Era noite, por volta das 21h do dia 1º de junho de 2016. Eu chegava à Rodoviária do Plano Piloto e em minha direção corriam uns três homens em uma velocidade absurda. O que ficou para trás foi derrubado por três policiais que o espancaram com chutes e socos embora ele já estivesse no chão, contido, mas ainda oferecia resistência. Eu passei ao lado e parei para observar as cenas que sucederiam e tentar entender o que estava a acontecer. Logo ouvi gritos: "é estudante"! Entendi, ele fazia parte do movimento pelo passe livre estudantil e algemado e levado à viatura, outra pessoa gritava "bandido eles não prendem, mas estudante..."! Eu ri da frase, porque é uma frase comum em manifestações estudantis, como se estudante não fosse capaz e também não cometesse crimes.

Não quero aqui me prender à este fato, mas usei-o apenas para ilustrar o que quero dizer neste artigo. Não achei completamente correta a ação dos policiais e não sei qual foi exatamente o crime que o rapaz cometeu, um policial dizia que ele estava "cometendo vandalismo com um pau na mão" (referindo-se à um cano que foi levado com prova). Olhando o grupo de manifestantes, estavam ali, cerca de trinta estudantes, com olhares perdidos e essa história de permanecer ali já tinha muitas semanas.

No dia seguinte, houve uma paralisação dos rodoviários. E o que isso tem a ver? Bem temos duas manifestações, uma dos estudantes e uma dos rodoviários, qual das duas você acha que fez muitas pessoas se preocuparem? Óbvio que a dos rodoviários, que preocupou bastante minha mãe porque tinha que ir trabalhar e porque meu irmão iria perder aula, ele não se mostrava muito preocupado. Mas está aí, duas manifestações, de formas diferentes, mas com algo em comum, a forma antiga de se manifestar.

Cândido Portinari - A Primeira Missa no Brasil
Uma paralisação de rodoviários, atinge diretamente o alvo que eles querem atingir, porque as empresas e o governo perdem em arrecadação e popularidade, duas coisas que eles não gostam de perder. Mas os alunos, a quem querem atingir usando estes métodos antigos e ineficazes? Manifestação tem que ser inteligente, precisa de estratégias, de planejamento, porque se não perdem mais do que pretendem conquistar. E tem tanto material ensinando estratégias militares.. não são o que geralmente se usa contra manifestantes? Sun Tzu descreve bem o que acontece com esses exércitos de manifestantes.. o problema é que se dispersam fácil, porque já não estavam bem formados.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os índios não ficaram tão encantados com os invasores como retrata Cândido Portinari em A Primeira Missa no Brasil, não, logo os índios se tornaram seus maiores inimigos, e travavam batalhas para defender seu território, mas perderam, porque os portugueses tinham armas e estratégias de batalha mais evoluídas. Assim, pereceu um povo, o nosso povo, morrendo, se afastando ou tornando-se escravos por falta de estratégias avançadas. Assim perecem também os manifestantes que não usam estratégias e armas à altura para brigar com o inimigo. O quadro de Portinari era uma estratégia política também, a arte sempre foi uma arma poderosa nas mãos erradas, pode ser de repente, uma ótima arma na mão de quem quer lutar bom bons ideais. Mas o que tem sido ensinado nas aulas de artes mesmo? Ou você acha que o fim do Ministério da Cultura não é uma estratégia política para poder calar quem tem boas estratégias de alcançar um bom público contra os inimigos do saber?

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